A esperada reforma ministerial do governo Lula tem perdido fôlego entre os principais partidos do chamado Centrão, que hoje compõem a base formal do Palácio do Planalto, mas demonstram crescente distanciamento político da gestão federal.
Após sete meses de adiamentos e trocas pontuais entre nomes ligados ao próprio PT e a aliados sob investigação, lideranças de União Brasil, PP, MDB, Republicanos e PSD avaliam que o governo perdeu o timing político para promover uma reestruturação de impacto na Esplanada dos Ministérios.
A análise é que, mesmo que a reforma avance ainda em 2024, não terá efeito prático nem altera a dinâmica da base no Congresso. Nos bastidores, cresce a percepção de que o governo optou por uma condução interna, evitando ceder cargos estratégicos para figuras externas ao núcleo político do presidente.
Reforma esvaziada e pressão em queda
Nos últimos meses, o governo Lula promoveu apenas mudanças internas, com substituições dentro do PT ou ligadas a crises — como os escândalos no INSS e na área das Comunicações. Entre as trocas, destacam-se a nomeação de Gleisi Hoffmann para a Secretaria de Relações Institucionais, substituindo Alexandre Padilha, e a migração de Padilha para o Ministério da Saúde, no lugar de Nísia Trindade.
Apesar de discussões antigas sobre ampliar o espaço para partidos aliados na Esplanada, as lideranças do Centrão vêm sinalizando indiferença crescente sobre indicações, especialmente de olho nas eleições de 2026, quando muitos ministros precisarão deixar os cargos até março caso decidam concorrer.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, há resistência de nomes políticos a assumir ministérios neste momento, mas permanece o interesse em indicar técnicos alinhados, o que garantiria influência sem exposição direta ao desgaste do governo.
A leitura do Centrão é que governabilidade e apoio eleitoral não caminham juntos. Os cinco partidos têm ajudado o Executivo em votações pontuais no Congresso, mas já sinalizam distanciamento no projeto de reeleição de Lula.
O grupo mantém diálogo aberto com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado como nome forte da direita para disputar a Presidência com o apoio de Jair Bolsonaro.
Mesmo insatisfeitos, os partidos ainda não indicam que vão entregar os 11 ministérios que controlam atualmente. Também não recusam novas ofertas, desde que possam indicar nomes que garantam visibilidade e recursos para suas bases — sem precisar carregar a imagem do governo federal, considerado desgastado em setores do eleitorado de direita. (Com informações da Folha de S.Paulo)
