Casos de síndrome respiratória disparam em Rio Branco e lotam UPA do Segundo Distrito

Foto Ilustrativa

A crise respiratória entre crianças volta a pressionar o sistema de saúde do Acre. Apenas em maio, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Segundo Distrito de Rio Branco registrou mais de 8,8 mil atendimentos relacionados a síndromes respiratórias. O número representa um salto em relação a abril, que teve 8,2 mil registros, e a março, com 7,5 mil casos.

O principal responsável pelos atendimentos, segundo médicos da unidade, é o vírus sincicial respiratório (VSR), conhecido por causar bronquiolite em bebês. A infecção pode evoluir rapidamente para quadros de dificuldade respiratória, especialmente em crianças pequenas e com comorbidades.

“O que mais se tem visto são bebês com chiado no peito, febre alta e dificuldade para respirar. O VSR é o principal agente, e é importante que as mães evitem expor os pequenos em locais com muita circulação de pessoas”, alertou o médico Moisés Menezes, da UPA, em entrevista ao G1 Acre.

Leitos próximos do colapso

A superlotação preocupa. Até a noite de quinta-feira, 29, 65 dos 70 leitos infantis disponíveis estavam ocupados. Nas UTIs pediátricas, 15 dos 20 leitos estavam em uso. A Secretaria de Saúde (Sesacre) anunciou a ampliação de 10 leitos no Hospital da Criança, em Rio Branco, totalizando 70 vagas de enfermaria.

Diante do avanço da crise, o governo do Acre decretou situação de emergência em saúde no dia 10 de maio. O decreto aponta o crescimento da demanda por atendimentos com sintomas gripais e a rápida ocupação de leitos pediátricos como fatores críticos.

Impacto nas famílias

A rotina de quem depende do atendimento público tem sido de angústia e espera. Aline Souza, professora e mãe da pequena Sofia, relatou desespero após semanas lidando com febre persistente. “Já tem um mês que luto com tosse e febre. Já tentei de tudo. Ver minha filha assim e não conseguir melhorar a situação é desesperador”, contou.

O fazendeiro Danilo Silva também precisou retornar com o filho à unidade de emergência. “Meu filho não dorme, não come, só tem febre. Estamos vindo pela terceira vez, esperando que agora resolvam”, disse.

Vírus de outono e inverno

A maior circulação de vírus respiratórios entre abril e julho é comum, mas a intensidade neste ano acendeu o alerta. Além do VSR, circulam Influenza A e B, Rinovírus, Adenovírus e o coronavírus SARS-CoV-2. Crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas formam os grupos mais vulneráveis.

A bronquiolite começa como um resfriado comum, com coriza, tosse e febre, mas pode evoluir para chiado no peito, cansaço e retração da fúrcula (afundamento do pescoço ao respirar). Nesses casos, a recomendação é buscar atendimento imediatamente.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o VSR responde por até 80% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças com menos de dois anos. A boa notícia é que há vacina disponível na rede privada, e o SUS já anunciou que irá incorporar o imunizante.

Como proteger os bebês

Especialistas reforçam medidas simples, mas essenciais:

– Lavar as mãos antes de tocar no bebê;

– Evitar locais fechados e aglomerações;

– Não expor crianças à fumaça de cigarro;

– Manter distância de pessoas com sintomas gripais;

– Higienizar brinquedos e superfícies com frequência.

Crianças prematuras e com histórico de problemas respiratórios devem ter acompanhamento reforçado neste período. (Com informações do G1 Acre)

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