O estado do Acre registrou 253 casos de estupro e estupro de vulnerável no primeiro trimestre de 2025, segundo boletim da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-AC). O número representa um aumento de 18,2% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram contabilizadas 214 ocorrências.
O mês de março foi o mais violento do trimestre, com 77 casos notificados, o que configura um crescimento de 28,3% em comparação a março de 2024, que registrou 60 ocorrências.
Ainda de acordo com o boletim, 73% das vítimas pertencem a grupos em situação de vulnerabilidade, como crianças, adolescentes e pessoas com deficiência. A capital Rio Branco concentrou 41,5% dos casos registrados no trimestre (105 ocorrências), seguida por Cruzeiro do Sul (27 casos) e Tarauacá (19 casos).
Apesar dos números de abril, maio e junho ainda não terem sido consolidados pela Sejusp até o fechamento desta reportagem, os dados parciais indicam uma tendência de crescimento nos registros de violência sexual em 2025 no estado.
Brasil registra recorde de estupros em 2024
Em nível nacional, o Mapa da Segurança Pública 2025 apontou 83.114 casos de estupro registrados no Brasil em 2024, o maior número dos últimos cinco anos. A média foi de 227 ocorrências por dia, o que equivale a aproximadamente um estupro a cada seis minutos.
Segundo o mesmo levantamento, 86% das vítimas são mulheres. Entre os anos de 2020 e 2024, houve um crescimento de 25,8% nos registros, que passaram de 66.056 para 83.114 casos. A região Norte apresentou o maior crescimento proporcional no período, com aumento de 62,4% nos registros de estupro.
Estados como Amazonas, Tocantins, Amapá e Acre concentram os maiores índices proporcionais da região. O levantamento também mostra que, na maior parte dos casos, os crimes são cometidos por pessoas conhecidas das vítimas.
Subnotificação e desafios institucionais
Diversos relatórios técnicos e estudos apontam que os números reais podem ser ainda maiores, considerando a alta taxa de subnotificação. De acordo com estimativas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apenas uma em cada dez vítimas de estupro denuncia o crime às autoridades.
Entre os desafios enfrentados pelos estados estão a falta de delegacias especializadas, a demora na tramitação dos processos judiciais, a ausência de centros de acolhimento e a escassez de profissionais capacitados para atendimento às vítimas.
No caso do Acre, o último levantamento disponível do Ministério Público do Estado, por meio do Feminicidômetro, mostra que os crimes sexuais e de gênero seguem sendo monitorados em tempo real, mas o avanço dos números indica a necessidade de reforço nas políticas públicas de prevenção, acolhimento e responsabilização penal.
