Rio Branco, Acre - quarta-feira, 29 abril, 2026

Carreta da Ricco é barrada em Rio Branco ao tentar sair do Acre após ordem judicial, aponta sindicato

Foto: SINTTPAC/cedida

Uma carreta carregada com peças de ônibus foi interceptada pela Polícia Militar na noite desta terça-feira (28), em Rio Branco, enquanto tentava deixar o estado por uma rota alternativa. O veículo, que supostamente pertence à empresa Ricco Transportes, foi encaminhado à Delegacia de Flagrantes e passou a integrar uma investigação que apura possível descumprimento de decisão da Justiça do Trabalho.

A abordagem ocorreu nas proximidades do SEST/SENAT, na rodovia AC-40, após integrantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre identificarem movimentação suspeita e acionarem a polícia. Segundo relatos, o veículo seguia em direção à saída do estado por um trajeto secundário.

O episódio acontece no mesmo dia em que a Justiça do Trabalho determinou medidas cautelares contra a empresa, incluindo a proibição de retirada de veículos e a restrição à transferência de bens utilizados na operação. A decisão tem como objetivo preservar o patrimônio da companhia diante de débitos trabalhistas em aberto.

De acordo com o advogado do sindicato, Renato Tavares, a carreta transportava equipamentos de alto valor, como motores e caixas de marcha. Ele afirmou ainda que outro veículo de menor porte teria deixado o estado antes da interceptação.
O representante jurídico destacou que a decisão judicial abrange todos os bens móveis da empresa, desde veículos leves até os ônibus em circulação. Na avaliação dele, a tentativa de retirada da carreta pode configurar violação direta da ordem judicial, que busca garantir recursos para o pagamento de trabalhadores.

Relatos indicam que o trajeto escolhido teria sido planejado para evitar fiscalização em rodovias principais. A informação, segundo o advogado, teria sido confirmada por um funcionário durante a abordagem policial.

A ocorrência será analisada pela autoridade policial responsável, que deverá definir as medidas cabíveis, como eventual apreensão do veículo ou sua liberação.

O caso se soma a uma série de episódios recentes que evidenciam a crise no transporte coletivo da capital acreana. Nos últimos dias, Rio Branco enfrentou paralisação total do serviço de ônibus devido a atrasos salariais, situação que só foi normalizada após repasse emergencial da prefeitura.

A própria decisão da Justiça do Trabalho aponta indícios de irregularidades na frota da empresa, incluindo veículos fora de registros oficiais e risco de dilapidação patrimonial. Segundo o entendimento judicial, os atrasos recorrentes já vinham causando prejuízos aos trabalhadores e poderiam comprometer a continuidade do serviço público.

O caso deve avançar simultaneamente nas esferas policial e judicial, aumentando a pressão sobre a empresa e ampliando o cenário de instabilidade no sistema de transporte coletivo da capital. (Com informações ac24horas)

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