Carnes fecham o ano com preços estáveis, mas cortes populares sobem mais em Rio Branco

Foto: Still Fotografia

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O mercado de carnes em Rio Branco encerra o ano com um cenário de estabilidade aparente, mas que esconde pressões pontuais justamente sobre os cortes mais presentes no prato das famílias acreanas. Levantamento do Programa de Educação Tutorial (PET) de Economia da Universidade Federal do Acre (UFAC) aponta que, entre novembro e dezembro, os preços médios da carne bovina e dos ovos tiveram variação de +0,82%, índice considerado moderado para o período de fim de ano.

Apesar do resultado geral indicar equilíbrio, a pesquisa revela que os reajustes se concentraram nos cortes de maior consumo e giro no mercado local. A agulha, por exemplo, registrou alta de 2,82%, seguida pelo coxão mole (+1,60%), alcatra (+1,12%) e pá com osso (+1,16%). São cortes tradicionalmente mais acessíveis e que exercem peso significativo no orçamento doméstico.

Na outra ponta, produtos como filé (-1,01%), músculo (-0,64%) e pá sem osso (-0,82%) apresentaram retração nos preços. Segundo a análise do PET Economia, esse movimento sugere uma acomodação da demanda, possivelmente influenciada pela substituição no consumo em um período de maior pressão sobre a renda das famílias.

O estudo também evidencia diferenças relevantes entre os tipos de estabelecimentos. Os supermercados foram os que registraram os reajustes mais expressivos, especialmente nos cortes mais populares. A agulha teve alta de 14,63%, o patinho subiu 10,90% e a alcatra avançou 10,18% nesses locais. A maior sensibilidade dos supermercados à sazonalidade de fim de ano, aliada ao repasse mais rápido de custos ao longo da cadeia produtiva, ajuda a explicar esse comportamento.

Já os açougues apresentaram variações mais contidas e, na maioria dos casos, mantiveram preços inferiores aos praticados nos supermercados. A diferença é perceptível em diversos cortes: a alcatra, por exemplo, custa em média R$ 42,14 no açougue, enquanto chega a R$ 51,82 no supermercado. Situação semelhante ocorre com o patinho, vendido a R$ 32,50 nos açougues e R$ 41,21 nos supermercados.

Mesmo com a intensificação do consumo típica do período pré-festas, os dados indicam que o mercado local de carnes permanece relativamente estável, sem sinais de descontrole nos preços. Ainda assim, a pressão concentrada sobre os cortes mais consumidos reforça o impacto direto sobre o custo de vida, especialmente para as famílias de menor renda.

A pesquisa do PET Economia segue acompanhando mensalmente a evolução dos preços em Rio Branco, oferecendo um retrato detalhado do comportamento do mercado e dos reflexos no orçamento da população acreana.

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