Foto: Jardy Lopes
O que seria uma ação de solidariedade se tornou motivo de protesto na Câmara Municipal de Rio Branco. A sessão de quarta-feira, 9, foi marcada por críticas à Energisa, após a suspensão de uma campanha de doação de sangue organizada pelo Hemoacre no prédio do Parlamento. A coleta, que vinha sendo divulgada há semanas, não pôde ser realizada por falta de energia elétrica.
Segundo o presidente da Casa, vereador Joabe Lira (União Brasil), o pedido de ligação foi feito com antecedência pelo Hemoacre, mas a empresa não atendeu. “Mobilizar doadores não é fácil. Muitos vieram, vereadores estavam prontos para doar, e tudo foi cancelado porque a Energisa não fez o básico: garantir energia”, afirmou.
A situação gerou indignação entre os parlamentares, que aprovaram um requerimento convocando o diretor-geral da Energisa para prestar esclarecimentos. “A empresa soltou uma nota dizendo que o atendimento foi feito e que o evento ocorreu normalmente. Isso não é verdade. A coleta não aconteceu”, denunciou Joabe.
De acordo com o vereador, o episódio compromete uma ação de saúde pública essencial. “Estamos falando de vidas. Cada bolsa de sangue pode salvar até quatro pessoas. Cancelar uma campanha por causa de um problema evitável é grave. É inaceitável.”
O vereador Aiache (PP) também se pronunciou. Ele destacou que o episódio evidenciou a realidade enfrentada pelo Hemoacre no dia a dia. “Um servidor me disse: ‘há males que vêm para o bem’. Ontem fomos nós que sentimos na pele o que eles passam toda semana”, relatou. Ele anunciou que já articula com o secretário Pedro Pascoal a instalação de um grupo gerador no prédio da Câmara, para evitar dependência da concessionária. Aias ainda compartilhou uma experiência pessoal com a empresa: “Fiquei sem energia em casa mesmo com a conta paga. Dormi na calçada com minha esposa e dois filhos.”
Já o vereador Fábio Araújo (MDB) classificou a postura da empresa como irresponsável e cobrou providências mais duras. “A Energisa mentiu em nota pública. Disse que atendeu o pedido no prazo, mas sabemos que isso não é verdade. É um abuso”, afirmou. Ele lamentou a perda de uma ação que poderia ter impacto direto na vida de pacientes. “Nós poderíamos ter arrecadado até 100 bolsas de sangue. Quem paga por isso são os que mais precisam.”
O vereador Éber Machado (MD) considerou a falha da Energisa uma afronta à Câmara Municipal. “A empresa confronta esta Casa. Prometeu melhorias quando chegou ao estado, mas hoje entrega um serviço precário. Parece que a mentira está tomando conta da cidade”, disse. Para ele, é necessário agir com firmeza diante do desrespeito, principalmente porque o evento havia sido promovido oficialmente pelo Parlamento.
Por fim, o vereador Leôncio Castro reforçou que a empresa lidera o ranking de reclamações no Procon e que a população acreana sofre com cobranças elevadas e má prestação de serviço. “Só em 2023 foram quase 2 mil queixas. A Energisa é campeã de reclamações”, afirmou. Leôncio lembrou ainda que a empresa pagou R$ 50 mil para assumir a distribuição no estado. “Hoje trata o serviço como bem entende, inviabiliza projetos essenciais como o da doação de sangue e ainda tenta se isentar com notas mentirosas.”
