Foto: Correio online
“O setor rural de Rio Branco está praticamente abandonado. O prefeito foi eleito prometendo produzir e empregar, mas nem produziu e nem empregou”. A frase é do presidente do Sinpasa, Josimar Ferreira, em entrevista ao Portal Correio Online, ocasião em que denunciou o que classifica como ‘descaso estrutural com a vida no campo’ pelo Executivo Municipal
Entre os pontos mais graves denunciados está o calcário adquirido pela Prefeitura de Rio Branco. Segundo Josimar, mais de R$ 2 milhões foram investidos em um insumo que, na prática, não trouxe benefício algum.
Ele denuncia que sem orientação técnica e sem equipamentos adequados, agricultores foram obrigados a espalhar o produto com as próprias mãos. O resultado: parte perdeu a visão, outros enfrentam complicações, e toneladas do material seguem amontoadas, sem serventia, ameaçando ainda contaminar o solo e os lençóis freáticos.
“Compraram o calcário e jogaram de qualquer forma. Não houve distribuição adequada, não houve acompanhamento técnico, não houve sequer explicação aos agricultores. Muitos tiveram que se virar sozinhos. O resultado é trágico”, destaca.

A crítica não se restringe ao calcário. Para o sindicalista, os ramais são outro retrato do abandono. Estradas precárias dificultam o transporte escolar, isolam comunidades do atendimento médico e travam o escoamento da produção.
“É inaceitável ver nossos filhos sendo transportados em estradas cheias de buracos, correndo risco de acidentes. Quando a população mais precisa, não há estrada, não há transporte, não há apoio algum. O setor rural está esquecido”, afirma.

Diante desse quadro, Josimar defende que o poder público não pode mais agir sozinho, sem ouvir quem vive no campo. Ele reforça a necessidade de um conselho deliberativo que dê voz direta aos trabalhadores, evitando decisões tomadas de forma unilateral pela Prefeitura.
Essa demanda ganhou fôlego dentro da Câmara Municipal com a apresentação do Projeto de Lei que cria o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Florestal Sustentável. A proposta prevê a participação de sindicatos, associações, povos indígenas, mulheres, jovens e representantes do poder público, com atribuições de planejar, fiscalizar recursos e acompanhar de perto a execução das políticas para o setor produtivo.
Para Josimar, a iniciativa é uma resposta às cobranças históricas do sindicato. “Se não for assim, a Prefeitura sempre vai fazer o que bem entende, da forma que quer, sem ouvir quem realmente está no campo. O produtor merece respeito, merece apoio e políticas públicas eficazes. Do jeito que está, não há legado algum para mostrar. O Conselho pode ser o caminho para mudar essa realidade.”
Inimigo da agricultura familiar?
No encerramento da entrevista, Josimar Ferreira não poupou críticas ao prefeito de Rio Branco. Para ele, a agricultura familiar foi usada como vitrine política, mas nunca recebeu investimentos que pudessem se transformar em legado real.
“O prefeito não é amigo da agricultura familiar. Ele usou essa área como discurso para se promover politicamente, mas de investimento não deixou nada. Está prestes a completar oito anos de mandato e o que vai restar é um vazio: nenhum programa estruturado, nenhuma referência que possa ser chamada de modelo para outros municípios, muito menos para o Estado. O setor produtivo de Rio Branco segue sem um único legado para mostrar.”
O sindicalista reforça que, se houvesse de fato prioridade, a capital já teria hoje políticas públicas sólidas para o campo, mecanização permanente, ramais em condições de escoamento e uma agricultura familiar fortalecida”. Em vez disso, segundo ele, “prevalece a lógica do abandono”.
