Café muda a vida no campo e redesenha a produção rural no Acre

Foto: Café online 

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A paisagem rural do Acre começa a mudar de forma silenciosa, mas profunda. Em apenas um ano, a produção de café mais que dobrou no estado, sinalizando uma virada que vai além dos números e reposiciona o grão como alternativa concreta de renda para pequenos e médios produtores que, até pouco tempo, sobreviviam com culturas de baixo valor agregado.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a produção saltou de pouco mais de 3 mil toneladas para 6,5 mil toneladas no período recente. O crescimento ocorre dentro de um cenário mais amplo da agricultura acreana, cuja safra total de grãos e culturas diversas é estimada em mais de 187 mil toneladas, mas é o café que chama atenção pela velocidade de expansão e pelo perfil de quem está produzindo.

Para o secretário de Estado de Agricultura, José Luiz Tchê, o avanço da cafeicultura reflete uma mudança estrutural no campo. “O café deixou de ser uma aposta e passou a ser uma realidade econômica. Hoje, ele garante renda contínua ao agricultor familiar e cria condições para que o produtor permaneça no campo com dignidade”, afirmou.

A expansão da cultura vem acompanhada de uma reorganização da cadeia produtiva, com maior participação de cooperativas e investimentos em processamento, especialmente no interior do estado. Ao agregar valor ainda na origem, o café passa a circular como produto industrializado, fortalecendo economias locais e reduzindo a dependência de intermediários.

Mesmo com a liderança histórica de culturas como mandioca, milho e banana, o avanço do café aponta para uma diversificação estratégica da produção rural acreana. O desafio agora é sustentar esse crescimento com assistência técnica, infraestrutura e mercado, para que a atual expansão se consolide como política econômica de longo prazo e não apenas como um ciclo excepcional.

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