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Foi mais do que um evento. Foi o dia em que o aroma da floresta atravessou fronteiras.
No coração de Rio Branco, o café do Acre reuniu compradores e especialistas de nove países — entre eles Estados Unidos, Espanha, China e Emirados Árabes — em uma degustação que revelou ao mundo o sabor da Amazônia em forma de bebida.
No salão do Restaurante Mata Nativa, as mesas alinhadas exibiam amostras de cafés produzidos em municípios como Xapuri, Capixaba, Brasileia e Cruzeiro do Sul. Copos de vidro, colheres de prova, olhares atentos. A cada gole, uma descoberta: corpo denso, notas doces, acidez equilibrada — e uma identidade que só a floresta consegue dar.
O produtor Jonas Lima, da Cooperativa de Café do Juruá, resume o sentimento de quem viveu o momento. “Foi como abrir as portas da nossa casa para o mundo sentir o cheiro do nosso trabalho. Nunca o café acreano teve tanta atenção. É um sonho que começou pequeno e agora é realidade.”

Entre os convidados, o espanto era nítido. O empresário croata Petar Gudelj descreveu o café do Acre como “um encontro entre natureza e sabor”. Já a brasileira Carmen Lúcia Chaves de Brito, a Ucha — eleita pela Forbes uma das mulheres mais influentes do agronegócio —, destacou o impacto sensorial dos robustas amazônicos. “Esses cafés têm perfis únicos, marcantes. Quando você prova, pensa: o que é isso? É uma surpresa boa em cada xícara”, afirmou.

Durante horas, produtores e degustadores se misturaram num ambiente que parecia mais uma celebração do que uma feira de negócios. O som das colheres, o burburinho em várias línguas e o cheiro forte do café recém-moído criaram uma atmosfera quase poética.
Foi a primeira vez que a Amazônia recebeu uma rodada internacional de degustação de cafés — e o Acre se tornou o palco dessa virada.
