Cacau vira aposta do Acre para recuperar áreas degradadas e gerar renda com floresta em pé

Foto: Divulgação 

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Mais do que uma capacitação técnica, a formação iniciada pelo governo do Acre para a cadeia do cacau revela uma estratégia que vai além da produção agrícola: o uso do cultivo como ferramenta de recuperação ambiental e geração de renda com a floresta em pé. A iniciativa envolve técnicos de diferentes instituições e ocorre em um dos principais centros de pesquisa cacaueira do país, no Pará, sinalizando uma tentativa de reposicionar o cacau acreano dentro de uma lógica sustentável e economicamente viável.

O treinamento, realizado no centro da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, reúne profissionais ligados à assistência técnica, pesquisa e defesa agropecuária. O foco não está apenas no plantio, mas também no manejo adequado, na recuperação de áreas degradadas e na classificação rigorosa das amêndoas — etapa decisiva para definir o valor do produto no mercado. Sem esse conhecimento, o cacau segue restrito à venda de baixo preço, mesmo quando produzido em sistemas ambientalmente corretos.

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Ao investir na formação de técnicos, e não apenas em ações pontuais com produtores, o Estado aposta em um efeito multiplicador no campo. A expectativa é que a qualificação de quem atua diretamente na orientação rural amplie o alcance da assistência, especialmente junto a agricultores familiares, povos originários e comunidades extrativistas, integrando produção, conservação ambiental e renda.

Outro ponto estratégico é o estímulo aos sistemas agroflorestais. O cacau, quando bem manejado, pode ser utilizado na recuperação de áreas alteradas, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas e fortalecendo modelos produtivos compatíveis com a realidade amazônica. Nesse contexto, a cultura passa a ocupar um papel central em políticas que conciliam desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

A ação é desenvolvida pela Secretaria de Estado de Agricultura do Acre, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, e integra o programa Cacau Socioambiental Sustentável. A leitura de bastidor é clara: o Acre começa a se preparar não apenas para produzir mais cacau, mas para vender melhor, agregando valor a uma cadeia que pode se tornar um dos pilares de um desenvolvimento alinhado à identidade amazônica.

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