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A relação entre pequenos produtores e órgãos de fiscalização ainda é marcada por medo e insegurança no Acre, especialmente quando o tema envolve inspeção e regularização. Em entrevista ao Correio Em Prosa, o secretário de Estado de Agricultura, José Luiz Tchê, reconheceu que muitos produtores acabam “se fechando” diante da abordagem fiscal, o que trava a formalização e limita o crescimento da produção.
Segundo o secretário, a burocracia excessiva e a falta de orientação adequada fazem com que o selo sanitário, criado para garantir segurança ao consumidor, passe a ser visto como obstáculo. “O produtor tem medo da fiscalização porque, muitas vezes, ela chega sem diálogo. A pessoa se fecha, para de procurar ajuda e continua na informalidade”, afirmou.
Tchê destacou que a Secretaria tem buscado mudar essa lógica, priorizando orientação antes da punição. “Não adianta chegar multando quem está tentando sobreviver. O pequeno precisa entender o processo, saber o que precisa ajustar e ter apoio para regularizar”, disse.
De acordo com ele, a informalidade não nasce da má-fé, mas da dificuldade de cumprir exigências que nem sempre consideram a realidade do campo. “Quando a burocracia não conversa com a realidade do produtor, ela vira uma barreira. E isso prejudica todo mundo”, pontuou.
Para o secretário, o desafio é equilibrar fiscalização, segurança alimentar e inclusão produtiva. “Regularizar é importante, mas orientar é essencial. Se o pequeno produtor não entrar no sistema, ele fica invisível e o Estado falha com quem mais precisa”, concluiu.
