Rio Branco, Acre - sábado, 05 setembro, 2026

Bring Me The Horizon transforma Rock in Rio em videogame grandioso, nostálgico e jogado em português

Bring Me The Horizon transforma Rock in Rio em videogame grandioso, nostálgico e jogado em português

Vocalista do ‘Bring me the horizon’ troca Rio por São Paulo durante show no Rock in Rio
Demorou que só. Foi somente depois de vinte e dois anos de sua formação que o Bring Me The Horizon chegou ao Rock in Rio. A apresentação aconteceu na noite deste sábado (5), no Palco Mundo, na sexta passagem do grupo britânico pelo país.
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Praticamente com um CPF para chamar de seu, Oli, o vocalista, fez de um tudo: chamou fã vestido de camisa do Brasil para cantar no palco, surpreendeu plateia que o acompanha desde o inicinho com músicas do primeiro álbum e até se embananou chamando Rio de Janeiro de São Paulo.
O grupo de Sheffield abriu o show com “DArkSide”, faixa-hit do álbum “Post Human: Nex Gen (2024)”. Antes, avisou: este show contém cenas de violência explícita e gore. No telão, “aperte start” apareceu por bons minutos seduzindo o público a jogar um jogo.
Toda a estética da performance, dali para frente, estava montada para parecer uma grande partida de videogame ambientada num mapa cheio de caveiras, tumbas e destroços.
Bring Me The Horizon no Rock in Rio 2026
Reprodução/Globoplay
A última vinda da banda tinha sido em novembro de 2024, quando eles fizeram um dos maiores shows da carreira, no estádio do Morumbi lotado, em São Paulo, como parte da “NX_GN WRLD TOUR”. Na ocasião, eles chamaram a cantora Pabllo Vittar para cantar “Antivist” (2013).
Formado por Oliver Sykes (voz), Lee Malia (guitarra), Matt Nicholls (bateria) e Matt Kean (baixo), o quarteto construiu ao longo dessas duas décadas uma trajetória bem curiosa. Começou no deathcore e foi, aos poucos, incorporando elementos melódicos, eletrônicos e pop, até chegar num rock contemporâneo mais comercialzão.
No palco, Oli falou bastante em português: “vocês vão fazer uma festa?”, “nossa senhora”, “feijoada de puta” (?) e até soltou um “por favor, São Paulo”, por engano. Depois fez questão de se redimir: “Bora lá, Rio de Janeiro. Bora, caralho. Vamos.”
Isso porque o vocalista tem uma relação bem singular com o país. É casado desde 2017 com a modelo brasileira Alissa Salls. Eles são pais dos gêmeos Grey e Zélia e mantêm uma casa em Taubaté, no interior de São Paulo. O que talvez ajude a explicar a confusão. Ou piore.
Ao todo, foram cerca de 15 músicas distribuídas em uma hora e meia de show. O repertório teve espaço ainda para faixas como “Pray For Plagues”, vinda do álbum de estreia, “Count Your Blessings” (2006).
E era essa mesmo uma das expectativas dos fãs. Desde o início do show pairava ali, sob o ar, uma espécie de fantasma. E eu explico: em julho, pouquíssimo tempo atrás, o Bring Me The Horizon lançou “Count Your Blessings | Repented”, uma regravação do álbum de estreia, lançado originalmente em 2006. “Repetended” quer dizer “arrependido”.
A ideia do relançamento, segundo a banda, era fazer uma espécie de “recontextualização” do momento que eles consideram ser o mais “pesado” da carreira, ligado ao deathcore. Fase esta que o próprio grupo passou anos tentando deixar para trás, e cujas músicas chegaram a ser tiradas dos setlists dos shows.
Em entrevista, Oli explicou a decisão de fazer esse acerto de contas: “Percebi o quanto aquele álbum ainda fala comigo. Não é mais algo distante para mim”.
O vocalista, que já é praticamente um dos nossos, chegou a dizer em determinado momento, ao pedir para a plateia abrir mosh pits, “Não me decepcione Brasil”.
A plateia, devota e provocada pelo cantor, tratou rapidamente de formar o maior número de rodinhas que conseguiu, com direito a sinalizadores de tudo que é cor.
No meio do bate cabeça, ninguém parecia estar nem aí se o mapa do videogame estava sendo jogado em São Paulo ou no Rio de Janeiro.
Do alto, ele disse, abismado, em português: “vocês são loucos”. Depois, falou que amava muito o país, se enroscou na bandeira verde e amarela, brincou que tem pix e foi parar nos braços da galera. Ele entendeu: o brasileiro sabe jogar o jogo.

Arte/g1
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Fonte: G1

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