Brasil registra quinta maior área queimada desde 2003; Acre desponta com redução histórica

Foto: Internet

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O Brasil atravessa 2025 marcado por um contraste no cenário das queimadas. Enquanto o país acumula, em apenas oito meses, a quinta maior área queimada desde 2003, o Acre registra uma redução expressiva nos focos de incêndio, revelando dois retratos distintos de um mesmo problema ambiental.

Segundo monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), já são mais de 186 mil km² consumidos pelo fogo neste ano, área superior ao território do estado do Ceará. O dado mantém 2025 entre os anos mais críticos das últimas duas décadas, mesmo após sucessivas campanhas de prevenção. O Cerrado segue como epicentro da devastação, respondendo por quase dois terços da área queimada, enquanto a Amazônia concentra boa parte dos focos registrados.

No Acre, no entanto, o fogo perdeu força. O estado contabilizou 251 focos de queimadas entre janeiro e agosto, contra 946 no mesmo período de 2024. A queda de 73% é considerada uma das maiores já observadas no estado. Apenas no mês de julho, o recuo foi ainda mais evidente: de 603 focos no ano passado para 163 neste ano. A explicação passa por uma combinação de fatores: intensificação da fiscalização, ações conjuntas entre órgãos estaduais e federais e um monitoramento mais próximo das áreas críticas.

Mesmo com os números positivos, especialistas alertam que a redução não elimina os riscos. No Acre, parte dos incêndios se concentra em áreas degradadas ou de desmatamento consolidado, o que contribui para a perda de solo, a diminuição da fertilidade e a ampliação da vulnerabilidade das comunidades rurais. Já no panorama nacional, a alta extensão queimada indica que, apesar da queda em alguns estados, o Brasil ainda convive com a prática do fogo como ferramenta de manejo agrícola e com a fragilidade de políticas estruturantes para conter a devastação.

Os impactos vão além do campo. A fumaça das queimadas atinge centros urbanos, compromete a qualidade do ar e amplia os atendimentos hospitalares por problemas respiratórios. No longo prazo, as chamas aceleram emissões de carbono, desequilibram o regime de chuvas e ameaçam a biodiversidade em ecossistemas inteiros.

O contraste entre o Acre e o restante do país lança um alerta: mesmo que seja possível frear o avanço do fogo com fiscalização e prevenção, o desafio real está em oferecer alternativas produtivas e sustentáveis que substituam o uso do fogo como prática agrícola. Sem essa mudança de paradigma, o Brasil seguirá preso a um ciclo em que as chamas voltam a se repetir, ano após ano.

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