Brasil registra queda de nascimentos em 2024; Acre segue entre os estados com maior proporção de mães jovens

Foto: Internet

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O número de nascimentos voltou a cair no Brasil em 2024, mantendo uma tendência que já dura seis anos. Dados das Estatísticas do Registro Civil, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que o país registrou pouco mais de 2,38 milhões de nascidos vivos, uma redução de 5,8% em relação aos 2,52 milhões contabilizados no ano anterior. É a maior queda percentual das últimas duas décadas.

Os pesquisadores destacam que o recuo acompanha mudanças estruturais da sociedade brasileira, como a redução da taxa de fecundidade e o envelhecimento da população. O número menor de mulheres em idade reprodutiva — faixa entre 15 e 49 anos — também contribui diretamente para o comportamento observado.

O levantamento mostra que março se consolidou como o mês com maior número de registros, somando 215,5 mil nascimentos, enquanto novembro e dezembro registraram os menores totais. De acordo com o IBGE, a média nacional em 2024 foi de:

  • 198 mil nascimentos por mês
  • 6,6 mil por dia
  • 275 por hora
  • 4,5 crianças por minuto

A pesquisa também confirma o movimento de maternidade mais tardia. Há vinte anos, mais da metade dos nascimentos era de mães com até 24 anos. Em 2024, essa proporção caiu para 34,6%, evidenciando mudanças culturais e sociais relacionadas à formação profissional, planejamento familiar e condições econômicas.

Apesar da queda nacional, o Acre permanece entre os estados com maior proporção de nascimentos de mães com até 19 anos. Em 2024, 19,8% dos nascidos vivos no estado eram filhos de mães adolescentes — o maior índice do país. O fenômeno é recorrente na Região Norte, que concentra os sete primeiros estados do ranking.

Especialistas apontam que fatores como desigualdade social, baixa escolaridade e dificuldades de acesso a políticas públicas de saúde reprodutiva explicam parte desse cenário.

A legislação brasileira estabelece prazo de 15 dias para registro civil de nascimento, ampliado para três meses em localidades distantes de cartórios. Em 2024, 88,5% dos registros ocorreram dentro do prazo, e quase todos foram formalizados em até 90 dias.

O estudo também mostra que 34,3% das mães brasileiras realizaram o parto em município diferente daquele onde residem — reflexo da concentração de serviços de saúde em centros urbanos maiores. No Norte e no Nordeste, essa proporção tende a ser ainda mais elevada, especialmente em regiões com menor cobertura hospitalar.

A equipe técnica do IBGE avalia que a redução do número de nascimentos deve persistir, acompanhando o perfil demográfico do país. Com famílias cada vez menores e uma população que envelhece rapidamente, estados como o Acre precisam enfrentar, simultaneamente, o desafio da baixa natalidade e o de índices elevados de maternidade precoce.

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