Rio Branco, Acre - sábado, 02 maio, 2026

“Brasil quer liderar economia verde global”, diz Jorge Viana em entrevista ao Lisboa Connection

Foto: Internet

Presidente da ApexBrasil defende abertura de mercados, acordos estratégicos com a Europa e reposicionamento da Amazônia como ativo competitivo. Ele também anuncia escritório da agência em Lisboa e revela a influência de Chico Mendes em sua trajetória.

Em entrevista ao videocast Lisboa Connection, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, apresentou um panorama ambicioso e estratégico do Brasil que o governo quer projetar para o mundo: sustentável, inovador, comercialmente aberto e geopolítica e ambientalmente relevante. O programa, gravado em Lisboa, marca o início de uma nova fase nas relações Brasil-Europa, com a promessa de um reposicionamento internacional do país por meio da diplomacia econômica e da liderança ambiental.

“A Amazônia não é um fardo. É um privilégio. E o mundo precisa enxergar isso”, declarou Viana. Para ele, a floresta deve ser um diferencial competitivo brasileiro, especialmente em tempos em que sustentabilidade e economia verde ganham peso nas decisões globais de investimento e comércio.

O ex-senador e ex-governador do Acre fez duras críticas ao protecionismo que dominou a política comercial mundial nos últimos anos — especialmente sob governos como o de Donald Trump — e afirmou que o Brasil ficou isolado nesse período. Segundo ele, o país agora retorna ao cenário internacional com força e visão estratégica, impulsionado por uma política externa pragmática e sustentável.

“A imagem do Brasil mudou. Estamos construindo confiança. O desmatamento, que dobrou no governo anterior, caiu quase 70%. Isso mostra seriedade”, pontuou.

Viana enfatizou que o Brasil detém 25% da biodiversidade mundial e 12% da água doce do planeta, além de uma matriz energética majoritariamente renovável. “Somos uma potência verde. Esse é o nosso papel no mundo.”

Escritório da Apex em Lisboa e conexão com o ecossistema de inovação

Durante a entrevista, Jorge Viana anunciou a instalação de um novo escritório da ApexBrasil em Lisboa, que funcionará como base de apoio para exportações, atração de investimentos e internacionalização de empresas brasileiras. Lisboa foi escolhida não apenas pelo fator histórico e linguístico, mas pelo papel que Portugal tem desempenhado no ecossistema global de startups.

“Portugal tem mais de 80 mil startups. O Brasil tem cerca de 20 mil. Podemos aprender e cooperar. A nova economia é colaborativa”, disse. Viana também destacou que o Brasil possui hoje mais de 13 mil startups em operação, mais de 100 empresas envolvidas em inovação aberta e mais de 30 unicórnios — o que, segundo ele, coloca o país como um dos protagonistas em inovação na América Latina.

O presidente da Apex também falou sobre o Acordo Mercosul-União Europeia, que segundo ele está prestes a ser finalmente concluído. Ele defende que o Brasil lidere esse processo como símbolo de uma nova era nas relações comerciais intercontinentais. “Estamos falando da formação do maior bloco econômico do mundo, com 700 milhões de pessoas. É um marco geopolítico. E o Brasil precisa estar no centro disso.”

Chico Mendes e a raiz amazônica da visão estratégica

Em um dos momentos mais emocionantes da entrevista, Jorge Viana lembrou a influência de Chico Mendes em sua vida política e em sua visão de mundo. “Chico foi morto em 22 de dezembro de 1988. Ele estava muito à frente de seu tempo. Me ensinou que é possível produzir sem destruir. E que a Amazônia pode ser um exemplo para o mundo.”

Viana reforçou que, enquanto muitos ainda veem a Amazônia como um problema, ele a enxerga como solução. “Temos gente na floresta que sabe produzir riqueza com floresta em pé. Isso é o futuro. É isso que queremos mostrar ao mundo.”

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