Foto: Roque de Sá
O assessor‑chefe especial do presidente Lula, Celso Amorim, afirmou hoje que o governo federal está avaliando a suspensão de contratos e cooperações militares com Israel. A medida, segundo ele, seria uma resposta coerente com os princípios humanitários do Brasil, frente à chamada “escalada dos massacres em Gaza”, que o país classifica como genocídio.
Amorim recebeu cerca de 20 parlamentares e lideranças, incluindo deputada Natália Bonavides (PT-RN), que pediam providências mais duras — desde o rompimento de relações diplomáticas até sanções econômicas. “Simplesmente, um extermínio que está sendo televisionado […] o Brasil tem que tomar medidas respaldadas pelo direito internacional”, afirmou Bonavides.
Conforme apurado pelo jornal Estado de S. Paulo, Amorim afirmou que a decisão está sendo tratada em diálogo direto com o presidente Lula e o chanceler Mauro Vieira. “Há várias outras medidas … sobretudo em termos das relações militares […] esse é um campo em que estamos estudando medidas”
Israel é um importante parceiro tecnológico e militar do Brasil — especialmente em sistemas de vigilância, drones e blindados —, o que torna o desmonte da cooperação um processo complexo, com implicações financeiras e políticas profundas.
Em janeiro, o governo brasileiro já havia cancelado a compra de blindados israelenses — medida considerada inicial dentro de um possível pacote de ações mais amplas.
Caso se confirme a suspensão da cooperação militar, o Brasil estará entre os primeiros países a adotar uma resposta institucional contundente contra o Estado israelense. A iniciativa também representa uma inflexão clara na política externa brasileira, que desde 2024 vem adotando um tom cada vez mais crítico à atuação de Israel na Faixa de Gaza.
Pressão política e social
Movimentos como FUP, FNP e BDS, além da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), vêm crescendo em mobilização e pedindo medidas ainda mais drásticas, incluindo embargo de energia, armas e rompimento de relações comerciais.
Os parlamentares também sugerem uma postura mais ativa do Brasil no plano jurídico internacional, cobrando envolvimento direto em processos como o da África do Sul na Corte Internacional de Justiça por genocídio.
