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O Brasil enfrenta um cenário persistente de abandono de animais domésticos. Estimativas apontam que cerca de 30 milhões de cães, gatos e outros animais vivem sem tutela no país, número que se mantém estável desde o início da década. O dado reforça a dimensão de um problema que se intensifica em períodos específicos do ano, especialmente no mês de dezembro.
Neste período, é realizada a campanha Dezembro Verde, voltada à conscientização sobre a guarda responsável de animais. O final do ano é considerado crítico por especialistas devido ao aumento de viagens, mudanças temporárias na rotina familiar e maior incidência de fatores de estresse, como a utilização de fogos de artifício, que contribuem para fugas e abandonos.
Entidades ligadas à saúde animal destacam que a convivência entre pessoas e animais domésticos tem se transformado ao longo dos anos, exigindo maior compromisso por parte dos responsáveis. O cuidado com um animal envolve não apenas alimentação e abrigo, mas também atenção contínua às suas necessidades emocionais, que se tornam mais evidentes em períodos de ausência prolongada dos tutores.
Especialistas alertam que o planejamento é fundamental antes da adoção. Animais domésticos costumam viver mais de uma década, o que exige previsibilidade quanto a mudanças de residência, viagens, férias e reorganizações familiares. A falta de preparo para lidar com essas situações está entre as principais causas do abandono.
Além do impacto social e ambiental, o abandono de animais é tipificado como crime no Brasil, conforme a Lei nº 9.605, de 1998. A legislação prevê penalidades que podem chegar a um ano de detenção, com agravantes em casos de maus-tratos ou risco à integridade do animal. Órgãos públicos orientam que situações de abandono sejam comunicadas às autoridades competentes.
Em grandes centros urbanos, animais encontrados em situação de abandono podem ser recolhidos por serviços públicos de vigilância sanitária e zoonoses, especialmente em casos que envolvam risco à saúde pública, sofrimento evidente ou agressividade comprovada. A atuação, no entanto, é limitada e não substitui a responsabilidade individual de quem decide assumir a guarda de um animal.
Alguns estados têm intensificado campanhas regionais para enfrentar o problema. Em Santa Catarina, por exemplo, ações educativas e publicitárias foram ampliadas no período de fim de ano para alertar a população sobre as consequências do abandono. A iniciativa busca reforçar que animais não são objetos descartáveis e que a adoção deve ser um ato consciente e permanente.
Especialistas reforçam que a mudança desse cenário passa, sobretudo, pela educação e pela responsabilidade. A decisão de adotar um animal deve considerar não apenas o momento emocional, mas a capacidade real de oferecer cuidado, segurança e convivência ao longo de toda a vida do animal. (Com informações Agência Brasil)
