Foto: Ilustrativa/web
O Brasil atingiu, em 2024, 70,4% de cobertura de esgoto, segundo levantamento do Brasil em Mapas com base em dados oficiais. O índice representa um avanço histórico em relação às últimas décadas, mas esconde uma desigualdade regional profunda — especialmente na Região Norte, onde o acesso ao saneamento básico segue distante da média nacional. Nesse cenário, o Acre aparece entre os estados com pior desempenho do país.
De acordo com dados da PNAD Contínua e do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), menos da metade da população acreana tem acesso à rede geral de esgoto. Na prática, o índice estadual gira em torno de 40% a 45%, bem abaixo da média brasileira. Em alguns municípios do interior, a cobertura não chega a 30%, o que coloca o estado em situação considerada crítica no ranking nacional.
O contraste com outras regiões é expressivo. Enquanto estados do Sudeste ultrapassam 90% de cobertura, como São Paulo e Minas Gerais, o Acre convive com um atraso estrutural que atravessa décadas. Mesmo dentro do estado, a desigualdade é evidente: Rio Branco concentra os melhores indicadores, com cobertura próxima de 70%, enquanto a maioria dos municípios do interior ainda depende de fossas rudimentares ou não dispõe de qualquer sistema adequado de esgotamento sanitário.
Embora o país tenha retomado investimentos no setor, o ritmo atual é considerado insuficiente para reduzir desigualdades históricas. Para que o Acre consiga acompanhar a meta nacional de universalização do saneamento até 2033, será necessário ampliar significativamente os investimentos, fortalecer a gestão dos serviços e priorizar municípios historicamente negligenciados. Até lá, o acesso ao esgoto tratado segue sendo, no estado, um privilégio concentrado — e não um direito garantido a todos.
