Foto: Globo Rural
A fruticultura no Acre, apesar de não figurar entre os maiores polos nacionais em volume total, tem crescido em importância para a economia rural do estado, com destaque especial para a banana, que se consolida como a principal fruta produzida pela agricultura familiar acreana.
Segundo dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e levantamentos setoriais recentes, a banana é a fruta com maior participação na produção estadual — à frente de outras culturas como laranja, limão e abacaxi — representando um dos principais produtos agrícolas voltados ao abastecimento interno e à comercialização em municípios vizinhos.
“A banana é a fruta mais cultivada no Acre porque se adapta bem às nossas condições de clima e solo, além de demandar menos tecnologia de manejo em relação a outras fruteiras”, explica um técnico agrícola da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Aquicultura.
Produção que movimenta a economia local
Levantamentos setoriais apontam que o Acre tem colhido mais de 80 mil toneladas de banana em safras recentes, gerando um valor estimado em cerca de R$ 90 milhões ao ano — número relevante quando se considera a estrutura produtiva ainda embrionária do setor no estado em comparação com polos nacionais maiores.
A produção de laranja no Acre soma aproximadamente 5,3 mil toneladas, enquanto a de limão está em torno de 4,5 mil toneladas, de acordo com estimativas compiladas por órgãos técnicos da agricultura local. Outras frutas, como abacaxi e mamão, também integram a diversidade frutícola do estado, mesmo em volumes mais modestos.
Desafios e oportunidades
Apesar do desempenho positivo da banana e da produção diversificada de frutas tropicais, especialistas apontam desafios significativos para a fruticultura acreana. Entre os principais entraves estão a baixa mecanização agrícola, insuficiência de assistência técnica especializada e dificuldades de logística de escoamento para mercados mais distantes.
“A produção existe e tem potencial, mas a falta de infraestrutura e tecnologia limita a competitividade das frutas do Acre frente a estados com cadeia produtiva mais robusta”, afirma um agricultor familiar da região do Vale do Juruá.
Por outro lado, há movimentos de fomento e iniciativas regionais que buscam valorizar a fruticultura com práticas de agricultura sustentável, capacitação técnica e criação de cadeias curtas de comercialização que aproximem produtores dos consumidores urbanos.
Segundo dados da Agência Estadual de Desenvolvimento Econômico e Promoção da Produção (AGEAC), a produção agrícola do Acre como um todo cresceu mais de 13% em valor em 2024, impulsionada não apenas pela fruticultura, mas também por culturas como mandioca, grãos e café — o que reforça o papel estratégico do setor no fortalecimento da economia rural local.
