Avanço sustentável no Acre continua em ritmo lento, aponta IDSC-BR

Foto: Marcos Vicentti/Secom

 Foto: Marcos Vicentti/Secom

O Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR) 2025 revela que quase metade dos municípios brasileiros não apresentou avanço significativo nos últimos dez anos, permanecendo estagnada entre 2015 e 2025. O levantamento aponta que 46,1% das cidades do país ficaram no mesmo patamar de desenvolvimento sustentável no período, enquanto 40,3% melhoraram e 13,7% registraram piora nos indicadores avaliados, que abrangem os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

A leitura territorial do mapa nacional expõe um padrão preocupante nas regiões Norte e Centro-Oeste, com extensas áreas marcadas pela estagnação. No Acre, estado composto por 22 municípios, o cenário acompanha a tendência regional: predominam municípios classificados como estagnados, com poucos registros de avanço consistente ao longo da última década. A concentração de áreas sem evolução significativa reforça a dificuldade histórica de transformar políticas públicas em melhorias estruturais duradouras, especialmente fora da capital.

Rio Branco aparece como o município acreano com melhor desempenho relativo nos indicadores do IDSC-BR, acompanhando o comportamento observado em outras capitais brasileiras, que concentram maior acesso a serviços, infraestrutura e capacidade administrativa. Já cidades do interior do estado enfrentam entraves persistentes ligados à precariedade de saneamento básico, limitações na oferta de serviços de saúde e educação, baixa diversificação econômica e dificuldades logísticas, fatores que impactam diretamente os índices de desenvolvimento sustentável.

O levantamento considera como avanço ou retrocesso apenas variações superiores a 5% em relação ao período anterior, o que evidencia que muitos municípios podem até registrar pequenas melhorias pontuais, mas insuficientes para alterar sua classificação geral. No Acre, essa realidade se traduz em uma década marcada mais pela manutenção de problemas estruturais do que por transformações efetivas, sobretudo nas áreas rurais e de difícil acesso.

Criado para orientar gestores públicos no planejamento e no monitoramento de políticas alinhadas aos ODS, o IDSC-BR expõe também um desafio local: a dificuldade de converter diagnósticos técnicos em estratégias de longo prazo. No caso acreano, a permanência da estagnação ao longo de dez anos indica fragilidade na continuidade administrativa, dependência de repasses externos e ausência de políticas estruturantes capazes de reduzir desigualdades regionais e melhorar a qualidade de vida da população.

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