“Enquanto Rio Branco enfrenta uma crise humanitária com o aumento do número de pessoas em situação de rua e a completa ausência de políticas públicas eficazes, o prefeito Tião Bocalom é flagrado em um festival de pesca em Minas Gerais, sorridente, ao som de sertanejo. A cena seria apenas pitoresca se não resumisse com precisão o estado de abandono da capital acreana”.
A frase é do vereador Éber Machado (MDB, durante pronunciamento na sessão de quarta-feira, 28, na Câmara Municipal de Rio Branco. Sem rodeios, o parlamentar classificou o prefeito como “ausente”, “covarde” e “autoritário”, após a prefeitura realizar uma operação noturna para remover as pessoas em situação de rua da região central da cidade — ‘sem aviso, sem diálogo e à margem de qualquer processo democrático’.
“A cidade pegando fogo e ele lá, com a esposa, em Minas Gerais. Um prefeito que virou as costas para o nosso povo. Isso não é gestão, é negligência institucional”, disparou o vereador, ao exibir o vídeo do prefeito no festival.
Operação de higienização social?
Segundo Éber, a operação — conduzida sob o silêncio da madrugada — retirou dezenas de pessoas em situação de rua do centro da cidade, “deixando para trás apenas sujeira, traumas e uma pergunta que nem a prefeitura nem seu secretário de Assistência Social, João Ferreira, conhecido no discurso como “Joãozinho Ditador”, souberam responder: para onde foram essas pessoas?”
Para o parlamentar, a ação na calada da noite é uma atitude de covardia. “Só quem tem medo da luz do dia toma decisão escondido”, afirmou Machado ao relacionar a ação do Executivo a uma manobra higienista, que não resolve o problema — apenas o transfere de lugar.
O parlamentar lembrou ainda que a gestão Bocalom já vai para o quinto ano de mandato, o que para ele “é tempo mais do que suficiente para ter estruturado políticas públicas de acolhimento, tratamento e reinserção social”. Éber ressalta que “ao invés disso, a prefeitura opta por ações de maquiagem urbana, sem responsabilidade social ou visão humanitária.
E finaliza: Eles [pessoas em situação de rua] querem mudar de vida. Mas são tratados como lixo. A cidade virou um lixão social. Isso é crueldade com cara de governo”
