Rio Branco, Acre - segunda-feira, 13 julho, 2026

Após tensão em protesto, André Kamai cobra do prefeito cronograma real do transporte a estudantes e sindicatos

Kamai

Diante do cenário de violência e do confronto registrado durante a manifestação estudantil que interditou o centro de Rio Branco na manhã desta segunda-feira (13), o vereador André Kamai (PT) reuniu-se diretamente com o prefeito para exigir uma saída institucional imediata para a crise do transporte público. A reunião contou também com a presença de representantes dos estudantes e da equipe de gestão do município.

O parlamentar propôs que a gestão municipal convoque uma mesa de repactuação ampla, reunindo o movimento estudantil e os sindicatos de trabalhadores, para a apresentação de um cronograma transparente e com prazos definidos para o restabelecimento das frotas de ônibus e a realização da licitação definitiva do sistema.

Segundo Kamai, ele estaria no local em solidariedade ao estudantes, mas que, ao presenciar os atos de violência contra os manifestantes, se colocou de forma a tentar evitar que algo mais grave acontecesse. O vereador também defendeu a legitimidade da indignação popular após semanas de desassistência nas paradas da capital. “Hoje, nós entramos no que a gente avisou lá atrás, entramos num colapso do transporte coletivo e não foi nem por culpa do estudante, nem por culpa da população, por conta da gestão. Ponto”, afirmou.

Durante o encontro na prefeitura, o parlamentar fez um contraponto contundente à versão oficial da gestão municipal sobre o tumulto na entrada do prédio e relatou a truculência sofrida pelos estudantes. Kamai, que foi atingido por spray de pimenta ao tentar proteger os manifestantes, denunciou a atuação de seguranças patrimoniais do município.

“O que aconteceu aí na frente não foi uma contenção. O que aconteceu aí na frente foi um espancamento. Eu vi. Assisti cenas que eu nunca vi: seguranças da prefeitura segurando jovens pelo cabelo, dando soco, batendo em mulheres, enforcando. Eu não posso passar por cima desse problema, é muito grave”, criticou Kamai, exigindo a abertura imediata de um processo administrativo transparente para apurar os excessos.

Com base em sua experiência na gestão pública, o vereador relembrou na mesa que a sede do Executivo municipal já foi ocupada de forma pacífica por diversas categorias profissionais em anos anteriores, e que a resposta correta do poder público sempre deve ser a abertura das portas e o diálogo direto, nunca o isolamento ou a força.

Para Kamai, o atual momento de transição de frotas e contratos emergenciais gera profunda desconfiança na população porque repete promessas feitas no passado que não foram cumpridas pelo município. Ele ressaltou que seu mandato já acionou o Ministério Público para que seja firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que estipule um prazo limite definitivo para a licitação do transporte coletivo na capital acreana.

Como encaminhamento prático para superar a crise, o vereador cobrou um compromisso público e firme da prefeitura com a sociedade. “O que resolve o problema da insegurança e da revolta, que é legítima de quem vive o caos do transporte, é a pactuação. A Prefeitura precisa apresentar um plano real de reestabelecimento, com prazos claros e com um prazo limite para a licitação acontecer”, concluiu.

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