Após quase três anos, famílias ainda aguardam móveis prometidos pelo Programa Recomeço

Foto: Portal Correio Online

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A situação de famílias atingidas pelas enchentes em Rio Branco voltou ao centro do debate na Câmara Municipal na quinta-feira, 13, durante tribuna popular requerida pelo vereador Fábio Araújo (MDB). Moradores denunciam que o Programa Recomeço, criado para auxiliar quem perdeu bens nas alagações, acumula atrasos, falhas logísticas e promessas não cumpridas desde 2023.

No plenário, o morador Ítalo Santos expôs um relato marcado por danos materiais, perda de documentos e mais de dois anos de tentativas frustradas de resolver o problema com a Prefeitura. Ele esteve abrigado no Parque de Exposições durante a cheia de 2023 e contou que o retorno para casa ocorreu de forma desorganizada, resultando na destruição de praticamente todos os seus móveis.

Segundo Ítalo, o erro começou ainda no dia da liberação das famílias para voltarem às suas casas. O nome da esposa foi preenchido incorretamente e, por isso, a retirada que deveria acontecer pela manhã só foi autorizada no início da tarde. No momento da mudança, um caminhão disponibilizado pelo município fez o transporte dos pertences sem proteção adequada. A lona usada para cobrir as caixas foi posicionada para dentro do basculante, deixando o material exposto à chuva forte que caiu no mesmo instante.

O resultado foi imediato: o guarda-roupa perdeu utilidade, os documentos da esposa e do filho — que é autista — foram destruídos e diversas caixas ficaram inutilizadas. “Quando os bombeiros começaram a retirar as coisas de cima do caminhão, deu para ver o estrago. Minha casa estava vazia e tudo que restava tinha virado perda”, afirmou.

A partir daquele dia, começou uma jornada que, segundo ele, nunca encontrou solução. Ítalo relata ter procurado a coordenação do abrigo, secretários municipais, diretores e até o prefeito em busca da reposição dos bens perdidos, mas diz ter recebido respostas vagas e datas que nunca se concretizaram.
“É promessa atrás de promessa. Todo mês alguém dizia que ia resolver. Hoje, quase três anos depois, continuo sem receber nada. Só quero o que é meu”, destacou.

O morador afirma que vive desde então em condições precárias, com a casa equipada apenas com móveis doados. O benefício social da esposa e o auxílio do filho autista foram suspensos porque os documentos originais foram danificados no retorno do abrigo, e a emissão de uma nova identidade exige R$ 300 que a família não possui. “Passei mais de um ano comprando água e gelo para manter as coisas básicas em casa. Fiquei semanas sem banheiro. Não é só sobre móveis, é sobre dignidade”, relatou.

O vereador Fábio Araújo disse que o caso de Ítalo é apenas um entre muitos relatos recebidos nos últimos meses. Para ele, a situação se agravou devido ao acúmulo de móveis e eletrodomésticos armazenados em galpões da Secretaria de Assistência Social sem entrega efetiva aos beneficiários.

Araújo afirmou que pretende convocar novamente a equipe responsável pelo Programa Recomeço para esclarecer por que os itens não chegam às famílias. O parlamentar também cobrou explicações sobre o furto de mais de 160 televisores que estavam guardados no mesmo galpão. “Quando fomos fiscalizar, as câmeras funcionavam. No dia do roubo, ninguém viu nada. Isso precisa ser esclarecido”, disse.

Por fim, Ítalo reforçou que não busca favorecimento, apenas o cumprimento do que foi prometido. Ele pediu que a equipe da Prefeitura visite sua casa para constatar pessoalmente a situação. “Não adianta ouvir de longe. Quero que vejam a realidade. Se meus móveis não tivessem sido destruídos por erro deles, eu não estaria aqui. Só quero que resolvam.”

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