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Mesmo passado o período do leilão que definiu novos proprietários para o complexo industrial Peixes da Amazônia S.A., começam a surgir os primeiros sinais sobre o futuro da estrutura instalada em Senador Guiomard. O grupo OZ Earth, que arrematou o empreendimento por R$ 13,15 milhões, confirmou que pretende reativar o parque industrial, reacendendo expectativas em uma cadeia produtiva que já ocupou papel central na economia acreana.
A venda ocorreu após três tentativas frustradas e uma expressiva desvalorização do patrimônio. Avaliado inicialmente em mais de R$ 19 milhões, o complexo só encontrou comprador no terceiro leilão, realizado entre os dias 26 e 28 de novembro — ocasião em que o lance mínimo já havia sido reduzido para R$ 9 milhões.
Representantes do grupo arrematante afirmam que a prioridade é aproveitar toda a estrutura já instalada e recolocar o complexo em funcionamento. A sinalização traz um sentimento de alívio entre antigos colaboradores e produtores que acompanharam o rápido processo de deterioração das instalações nos últimos anos. Segundo o grupo, a intenção é preservar o parque industrial e manter no Acre todos os equipamentos que compõem o empreendimento.
A decisão judicial que autorizou a venda, assinada pelo juiz Romário Divino Faria, permite o parcelamento do valor com entrada de 50% e pagamento do restante em até 24 meses. O imóvel possui mais de 60 hectares e inclui laboratório de alevinagem, frigorífico, fábrica de ração, 122 tanques escavados e bens avaliados em mais de R$ 7 milhões. A venda ocorreu na modalidade ad corpus, sem possibilidade de contestação posterior sobre estado de conservação.
O complexo já foi uma das principais referências do setor aquícola na Região Norte. Entre 2013 e 2017, reuniu cerca de 2,5 mil famílias de piscicultores, chegou a empregar mais de 200 trabalhadores e operou como parceria público-privada entre o Governo do Acre, a ANAC e a Acrepeixe.
A decadência começou em 2018, quando a empresa entrou em recuperação judicial com dívida estimada em R$ 12 milhões. O processo não avançou e, em 2024, a Justiça decretou a falência após descumprimento do plano, falta de pagamento aos credores e registros de furtos constantes — cenário descrito como “total abandono”.
Com novos controladores e intenção declarada de reativar o complexo, o setor aguarda os próximos passos para entender quando e como a estrutura poderá voltar a operar. A retomada, caso se consolide, tem potencial para reaquecer uma cadeia produtiva que já representou renda, emprego e projeção nacional para centenas de produtores acreanos.
