Foto: Rede Social
A primeira eleição direta para o cargo de juiz de paz no Acre movimentou eleitores em todos os 22 municípios neste domingo, 30. Em Rio Branco, a votação revelou um nome que chamou atenção não apenas pela idade, mas pela expressiva participação nas urnas: Alícia Thaís Rodrigues, 26 anos, servidora do Tribunal de Justiça e formada em Direito, recebeu 1.170 votos e garantiu o primeiro lugar na capital.
A nova juíza de paz entrou na disputa movida por um desejo que nasceu dentro de casa. Alícia conta que sua relação com cerimônias começou quando conduziu a renovação de votos dos pais, em comemoração aos 30 anos de casamento — experiência que, segundo ela, ficou marcada como um dos dias mais significativos de sua vida.
“Eu tenho um apreço por realizar casamentos religiosos. O primeiro, na verdade, foi a renovação de votos dos meus pais, e depois vieram outras oportunidades. Quando vi o edital, enxerguei a chance de servir à comunidade fazendo algo que gosto e que farei com muito zelo”, afirmou.
Além das celebrações matrimoniais, a jovem destaca o interesse por outra frente associada ao cargo: a conciliação de pequenos conflitos. A afinidade vem do tempo de atuação na advocacia cível. “É algo que também gosto e que faz parte do que acredito enquanto serviço público”, explicou.
Antes de oficializar a candidatura, Alícia buscou esclarecimentos sobre a possibilidade de exercer a função sem deixar o posto atual de Técnica Judiciária no TJAC. A resposta positiva reforçou a decisão. “Houve muita pesquisa sobre tudo que envolvia ser juíza de paz e sobre a compatibilidade com o meu cargo. Descobri que era possível, sem nenhum problema.”
A campanha, conduzida de forma simples e próxima das pessoas, aconteceu quase toda pelas redes sociais. A própria candidata produziu o primeiro vídeo, gravado em casa, para explicar a importância da função. Amigos e familiares assumiram o papel de multiplicadores da mensagem.
“Divulguei primeiro entre os amigos e a família. Eles foram responsáveis pela multiplicação desse sonho, no boca a boca. Foi um trabalho de formiguinha até o dia das eleições”, contou.
Ao comentar o resultado, Alícia atribui a vitória ao apoio recebido e à fé. “Creio que foi o cuidado de Deus em minha vida. Ele sempre esteve no controle e permitiu isso, levantou todas essas pessoas para estarem comigo. Me surpreendi com muitos amigos distantes dizendo que tinham ido votar. Sem Deus, minha família e meus amigos, nada disso teria sido possível.”
Com o resultado, a capital passa a ter uma juíza de paz jovem, formada dentro do próprio sistema de Justiça e disposta a aproximar o serviço da comunidade. A posse ocorrerá conforme cronograma estabelecido pelo Tribunal de Justiça.
