Anac descarta controle de preços e mantém passagens aéreas caras na Amazônia

Foto: FAB

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A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) descartou a possibilidade de impor limites ou obrigar companhias aéreas a reduzir o preço das passagens na Amazônia. Em resposta a um pedido feito pelo Senado Federal, a agência afirmou que qualquer intervenção direta poderia distorcer o mercado e até prejudicar consumidores a longo prazo.

A discussão ganhou força após reclamações de parlamentares da região, que apontaram os altos custos dos voos como barreira para a integração e o desenvolvimento da Amazônia. O senador Omar Aziz (PSD-AM) chegou a sugerir que as empresas aéreas repassassem os lucros obtidos em rotas mais rentáveis, como a ponte aérea Rio–São Paulo, para subsidiar as passagens na Amazônia. A proposta, no entanto, foi rechaçada pela Anac, que defende o modelo de liberdade tarifária vigente no Brasil desde 2001.

Segundo a agência, controlar preços artificialmente não resolveria os problemas estruturais da aviação regional. O órgão destacou que, apesar de o valor por quilômetro voado no Amazonas ser menor que a média nacional, as passagens acabam mais caras devido às longas distâncias e à baixa ocupação dos voos. Isso significa que, com aeronaves menos cheias, o custo por passageiro sobe, pressionando as tarifas.

Outro fator apontado pela Anac é que a Amazônia depende de rotas de baixa densidade, com pouca concorrência entre companhias, o que dificulta a formação de preços mais competitivos. Para a agência, a solução está em incentivar a ampliação da malha aérea, a entrada de novas empresas no mercado e políticas de subsídio direto do governo — e não no tabelamento de tarifas.

Com isso, o posicionamento oficial frustra a expectativa de moradores e lideranças locais que aguardavam medidas imediatas para baratear os bilhetes. Enquanto não há uma política específica para a aviação regional, a realidade permanece: voar na Amazônia segue custando caro, em um cenário onde, muitas vezes, o avião é o único meio de acesso a municípios isolados.

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