Rio Branco, Acre - sexta-feira, 06 março, 2026

Amazônia sob ataque: Unidades de Conservação do Acre entre as mais desmatadas do país

Foto Internet

Três Unidades de Conservação do Acre, entre elas a histórica Reserva Extrativista Chico Mendes, figuram entre as dez áreas mais desmatadas da Amazônia Legal, segundo levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgado em abril de 2025.

De agosto de 2024 a março deste ano, o estado acumulou a devastação de 282 km² de floresta — um crescimento alarmante de 38% em relação ao mesmo período anterior. Só em março de 2025, o Acre registrou 2 km² de área desmatada, o que representa 1% do total destruído na Amazônia Legal no mês.

A destruição avança, sobretudo, em áreas que deveriam ser protegidas, escancarando falhas no sistema de fiscalização ambiental e ameaçando o futuro das comunidades tradicionais, da biodiversidade e da própria economia acreana.

Áreas protegidas que viraram alvo

Entre as áreas mais afetadas, destacam-se:

– Área de Proteção Ambiental (APA) do Igarapé São Francisco – 5ª área mais desmatada da Amazônia Legal;

– Floresta Estadual (FES) Afluente do Complexo do Seringal Jurupari – 6ª posição;

– Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes – 9ª posição.

Essas áreas são consideradas estratégicas para a conservação ambiental e o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis, como o extrativismo, o turismo de base comunitária e o manejo florestal.

Causas do avanço do desmatamento

Ainda de acordo com os dados, o crescimento da degradação no Acre é impulsionado principalmente por grilagem de terras públicas; exploração ilegal de madeira; avanço desordenado da agropecuária; e deficiência na fiscalização ambiental, agravada por cortes de orçamento e desmobilização de equipes.

Especialistas apontam ainda que a fragilidade dos mecanismos de regularização fundiária contribui para o avanço das invasões em áreas protegidas.

O impacto invisível – A devastação não ameaça apenas a biodiversidade. Ela coloca em risco o modo de vida de milhares de famílias extrativistas que dependem diretamente dos recursos da floresta para sobreviver — da coleta de castanha e borracha ao uso sustentável de plantas medicinais.

O que está sendo feito (ou não)

O Acre registrou 22 ações civis públicas relacionadas ao desmatamento ilegal entre 2017 e 2020, segundo o programa Amazônia Protege do Ministério Público Federal. Apesar disso, o volume de sentenças efetivas ainda é baixo e os alertas de desmatamento continuam em alta.

Organizações ambientais cobram maior presença do Estado nas frentes de fiscalização e o fortalecimento de políticas públicas de incentivo à bioeconomia — único caminho viável para gerar renda sem destruir a floresta.

Um alerta para o futuro – se o desmatamento continuar avançando, o Acre perderá não apenas áreas de floresta, mas oportunidades reais de desenvolvimento sustentável: crédito de carbono, turismo ecológico, mercados internacionais de produtos nativos. A destruição da floresta hoje compromete o futuro econômico e social de toda a região.

Desmatamento no Acre (Agosto/2024 a Março/2025)

Indicador Dados

  • Área desmatada acumulada 282 km²
  • Crescimento em relação ao período anterior +38%
  • Área desmatada em março/2025 2 km²
  • Participação no desmatamento da Amazônia Legal (março) 1%
  • Unidades de conservação afetadas APA Igarapé São Francisco, FES Afluente
  • Jurupari, Resex Chico Mendes
  • Processos judiciais contra desmatamento (2017-2020) 22 ações civis públicas
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