Três Unidades de Conservação do Acre, entre elas a histórica Reserva Extrativista Chico Mendes, figuram entre as dez áreas mais desmatadas da Amazônia Legal, segundo levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgado em abril de 2025.
De agosto de 2024 a março deste ano, o estado acumulou a devastação de 282 km² de floresta — um crescimento alarmante de 38% em relação ao mesmo período anterior. Só em março de 2025, o Acre registrou 2 km² de área desmatada, o que representa 1% do total destruído na Amazônia Legal no mês.
A destruição avança, sobretudo, em áreas que deveriam ser protegidas, escancarando falhas no sistema de fiscalização ambiental e ameaçando o futuro das comunidades tradicionais, da biodiversidade e da própria economia acreana.
Áreas protegidas que viraram alvo
Entre as áreas mais afetadas, destacam-se:
– Área de Proteção Ambiental (APA) do Igarapé São Francisco – 5ª área mais desmatada da Amazônia Legal;
– Floresta Estadual (FES) Afluente do Complexo do Seringal Jurupari – 6ª posição;
– Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes – 9ª posição.
Essas áreas são consideradas estratégicas para a conservação ambiental e o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis, como o extrativismo, o turismo de base comunitária e o manejo florestal.
Causas do avanço do desmatamento
Ainda de acordo com os dados, o crescimento da degradação no Acre é impulsionado principalmente por grilagem de terras públicas; exploração ilegal de madeira; avanço desordenado da agropecuária; e deficiência na fiscalização ambiental, agravada por cortes de orçamento e desmobilização de equipes.
Especialistas apontam ainda que a fragilidade dos mecanismos de regularização fundiária contribui para o avanço das invasões em áreas protegidas.
O impacto invisível – A devastação não ameaça apenas a biodiversidade. Ela coloca em risco o modo de vida de milhares de famílias extrativistas que dependem diretamente dos recursos da floresta para sobreviver — da coleta de castanha e borracha ao uso sustentável de plantas medicinais.
O que está sendo feito (ou não)
O Acre registrou 22 ações civis públicas relacionadas ao desmatamento ilegal entre 2017 e 2020, segundo o programa Amazônia Protege do Ministério Público Federal. Apesar disso, o volume de sentenças efetivas ainda é baixo e os alertas de desmatamento continuam em alta.
Organizações ambientais cobram maior presença do Estado nas frentes de fiscalização e o fortalecimento de políticas públicas de incentivo à bioeconomia — único caminho viável para gerar renda sem destruir a floresta.
Um alerta para o futuro – se o desmatamento continuar avançando, o Acre perderá não apenas áreas de floresta, mas oportunidades reais de desenvolvimento sustentável: crédito de carbono, turismo ecológico, mercados internacionais de produtos nativos. A destruição da floresta hoje compromete o futuro econômico e social de toda a região.
Desmatamento no Acre (Agosto/2024 a Março/2025)
Indicador Dados
- Área desmatada acumulada 282 km²
- Crescimento em relação ao período anterior +38%
- Área desmatada em março/2025 2 km²
- Participação no desmatamento da Amazônia Legal (março) 1%
- Unidades de conservação afetadas APA Igarapé São Francisco, FES Afluente
- Jurupari, Resex Chico Mendes
- Processos judiciais contra desmatamento (2017-2020) 22 ações civis públicas
