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Em meio às discussões que podem redefinir os rumos da produção rural na região, o Acre entrou no centro do debate amazônico sobre agricultura e sustentabilidade. Durante reunião da Câmara Setorial de Agricultura e Economia Verde do Consórcio Interestadual da Amazônia Legal, realizada em São Luís, representantes dos estados alinharam propostas que vão desde o fortalecimento da agricultura familiar até a reformulação do Plano Safra para atender às especificidades da região.
Representando a Secretaria de Estado de Agricultura do Acre (Seagre), o secretário adjunto Edivan Maciel destacou o papel estratégico do estado dentro da articulação regional. Segundo ele, a Seagre tem atuado como coordenadora entre as secretarias da Amazônia Legal, assumindo uma posição de liderança num momento de transição dentro do consórcio, agora sob a presidência do governador do Maranhão. “Participar dessas discussões é fundamental. Trouxemos uma equipe técnica justamente para acompanhar de perto cada pauta e fortalecer esse protagonismo do Acre dentro da construção coletiva”, afirmou.
No centro das discussões está a tentativa de adaptar políticas nacionais à realidade amazônica. Um dos pontos debatidos foi a ampliação e integração do Plano ABC — política voltada à agricultura de baixa emissão de carbono — entre os estados da região. A proposta busca tornar mais eficiente a aplicação de práticas sustentáveis no campo, conciliando produção com preservação ambiental, uma equação ainda desafiadora para produtores locais.
Outro eixo considerado essencial foi o fortalecimento da assistência técnica rural. A ampliação da ATER aparece como uma demanda urgente, especialmente para pequenos produtores que enfrentam dificuldades no acesso à tecnologia, crédito e orientação especializada. Na prática, isso significa levar conhecimento e suporte direto a quem produz, reduzindo desigualdades históricas no campo amazônico.
A pauta também avançou na construção de um “Circuito Amazônico” de feiras da agricultura familiar, uma estratégia que pretende conectar produtores a novos mercados e ampliar a visibilidade dos produtos regionais. A iniciativa surge como alternativa concreta para gerar renda e fortalecer cadeias produtivas locais, muitas vezes invisibilizadas nas grandes políticas nacionais.
O movimento mais significativo foi a elaboração de um manifesto conjunto direcionado ao Ministério da Agricultura e Pecuária e ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. O documento reivindica um Plano Safra 2026/2027 mais alinhado às condições da Amazônia — uma cobrança antiga dos estados, que argumentam que o modelo atual ainda não contempla as particularidades da produção na região, marcada por desafios logísticos, ambientais e estruturais.
Também representaram o Acre, a chefe da Divisão de Monitoramento, a engenheira agrônoma, Éllen Albuquerque Abud; e o chefe do Departamento de Produção Familiar (DEPROF), o engenheiro Agrônomo Josicley de Souza Azevedo.
