Foto: Diego Silva/Secom
Evento marca empoderamento feminino, fortalecimento cultural e geração de renda nas aldeias indígenas do Rio Gregório
A Aldeia Mutum, uma das 17 aldeias do povo Yawanawá situadas às margens do Rio Gregório, em Tarauacá (AC), foi palco de um marco histórico para a cultura indígena do Acre. Nesta quarta-feira (28), a comunidade realizou a maior exposição de artesanato da história da etnia, reunindo dezenas de mulheres de diferentes aldeias para apresentar peças autorais, repletas de ancestralidade, espiritualidade e identidade cultural.
A exposição é parte do movimento de fortalecimento da mulher indígena, iniciado um dia antes com a realização do Primeiro Encontro das Mulheres Yawanawá, também sediado em Mutum. Durante o evento, foram exibidos quadros, vestimentas tradicionais, pulseiras, colares, anéis, tornozeleiras e outros adornos produzidos manualmente por artesãs Yawanawá.

— Esse é um momento especial, que representa a arte, a proteção, a beleza, a tradição e a força do nosso povo. A exposição conta a história de um trabalho coletivo de homens e mulheres — celebrou a cacique Maria Júlia Yawanawá.
O evento contou com o apoio da Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas (Sepi) do governo do Estado. A diretora da pasta, Nedina Yawanawá, destacou o valor simbólico e econômico da iniciativa.
— Estamos aqui mais uma vez valorizando nossa arte e cultura. O apoio institucional foi essencial para a realização desta exposição, que reforça a importância da autonomia e da valorização das mulheres indígenas — afirmou.

Arte que inspira e gera renda
O artesanato produzido pelas mulheres Yawanawá tem conquistado admiradores em todo o Brasil e também no exterior. Mais que expressão cultural, tornou-se uma importante fonte de renda e emancipação econômica para muitas famílias das aldeias.
— Antes, a gente dependia dos maridos ou das aposentadorias dos nossos pais. Hoje, com o artesanato, temos liberdade para conquistar nossas próprias coisas — contou Eliete Yawanawá, uma das participantes da exposição.
A produção artesanal é marcada por cuidado e conexão espiritual. Cada peça é criada com precisão e sensibilidade. Segundo Janete Yawanawá, cacique da Aldeia Mushuinu, o processo envolve calma, inspiração e intenção:
— A gente precisa estar em paz, com o coração tranquilo. As ideias das cores e formas vêm na mente e no coração. Não pode errar nenhuma pedrinha — explicou.

Reconhecimento e afeto
Entre os visitantes, a empresária carioca Bia Saldanha, moradora de Rio Branco, relembrou sua conexão afetiva com a aldeia e com o trabalho das artesãs.
— Quando vi uma pulseira Yawanawá pela primeira vez, era amarela, minha cor favorita. Foi um presente que me marcou. Hoje vejo a força dessas mulheres e a beleza do que elas construíram. Isso é uma revolução silenciosa, feita com amor, talento e organização — disse.
As miçangas utilizadas na produção vêm da República Tcheca, e os adornos confeccionados com elas já ajudam a movimentar a economia criativa do Acre, com potencial crescente de expansão para o mercado nacional e internacional.
Com informações Agência de Notícias do Acre
