Harvey Weinstein na corte de Manhattan, em Nova York, nesta sexta-feira (15)
Timothy A. Clary/Pool via REUTERS
O produtor de Hollywood Harvey Weinstein não enfrentará um novo julgamento por estupro em Nova York.
Segundo a Associated Press, os promotores arquivaram o caso nesta quinta-feira (25), após a acusadora, a cabeleireira e atriz Jessica Mann, declarar que não tinha mais condições emocionais e físicas de testemunhar.
O caso, emblemático da era #MeToo, arrastava-se há oito anos e já havia passado por uma condenação anulada e dois julgamentos com júris travados.
A decisão de encerrar o processo partiu de uma carta de Mann lida no tribunal, na qual ela afirmou que o caso lhe trouxe “mais danos do que benefícios” e que o processo judicial a deixou “fragmentada, silenciada, difamada e traumatizada”.
Ela relatou ter sofrido uma concussão pouco antes de seu depoimento, sentido dores de cabeça e outros sintomas enquanto prestava o depoimento e, por fim, sofrido uma “dissociação”. Foi “um agravante humilhante para uma experiência já avassaladora”, escreveu ela.
“Para deixar claro, acreditamos no relato da Sra. Mann e em sua credibilidade como testemunha”, disse o promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg, em um comunicado. “Essa foi uma provação extremamente desgastante para ela, e ela jamais vacilou ao depor perante dois grandes júris e três júris de julgamento ao longo de oito anos. Agradecemos a ela por sua honestidade e por sua imensa coragem.”
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Produtor segue preso
Apesar do arquivamento desta acusação específica, o ex-produtor de Hollywood de 74 anos continua preso. Ele aguarda a sentença de setembro em Nova York por outra condenação de agressão sexual envolvendo uma mulher diferente, cuja pena pode chegar a 20 anos.
Além disso, quando encerrar suas pendências em Nova York, Weinstein deverá cumprir uma pena de 16 anos de prisão na Califórnia por estuprar uma atriz italiana. Ele recorre de ambas as condenações.
A defesa de Weinstein celebrou a decisão, reiterando a alegação de inocência e afirmando que as acusações nunca deveriam ter sido feitas, sustentando que todas as relações foram consensuais.
Weinstein, que já foi uma das figuras mais poderosas do cinema mundial por trás de sucessos como “Pulp Fiction”, viu seu império desmoronar em 2017 com as denúncias em massa de assédio e abuso sexual que impulsionaram o movimento #MeToo globalmente.
