Foto: Arquivo pessoal
O jogador de futebol acreano Otávio de Castro, 23 anos, vive em Dubai, Emirados Árabes Unidos, há quase cinco anos e descreve a rotina de tensão no bairro de Mirdif, localizado próximo ao Aeroporto Internacional da cidade, área considerada estratégica pelo governo para interceptações de drones e mísseis.
O clima de alerta começou após ataques militares realizados pelos EUA e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do então líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e de autoridades militares do país. Em retaliação, o Irã disparou mísseis contra Israel e regiões do Oriente Médio que abrigam bases norte-americanas, incluindo Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
Otávio mora com a mãe, Raquel Correia, e outro brasileiro, também jogador de futebol. Segundo ele, a proximidade com o aeroporto transforma o bairro em um ponto crítico de defesa. Na segunda-feira (2), um drone foi interceptado e explodiu próximo à residência do jovem, evidenciando o risco diário enfrentado pelos moradores.
“Tem um risco em sair de casa. A maioria só sai para trabalhar ou por necessidade. Algumas pessoas têm medo, mas ainda há movimento nas ruas. O que a gente espera é que tudo acabe o mais rápido possível”, disse Otávio.
O jogador afirmou que esta não foi a primeira explosão próxima de sua residência. “Não foi só essa. Houve várias interceptações no local onde moro”, acrescentou.
O bairro, que normalmente abriga crianças brincando em um campinho de futebol em frente às casas, também sente os efeitos do conflito. Há dois dias, o espaço está vazio, e o governo local orientou a população a trabalhar de casa por medida de segurança.
“Não vi nenhuma criança na rua. O campinho está vazio. No primeiro dia, o governo pediu para que as pessoas trabalhassem de casa”, completou Otávio.
O relato do acreano dá um panorama da vida sob risco em uma das regiões mais movimentadas de Dubai, mostrando como os conflitos internacionais impactam diretamente a rotina de cidadãos comuns, mesmo longe das zonas de guerra.
