Alta circulação de vírus respiratórios pressiona rede hospitalar; crianças pequenas estão entre as principais vítimas
O Acre registrou 1.303 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) até a 20ª semana epidemiológica de 2026, conforme dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre). O número supera os registros observados no mesmo período dos anos anteriores e acende um alerta para o avanço das doenças respiratórias no estado.
De acordo com o boletim epidemiológico, 37 pessoas morreram em decorrência da síndrome neste ano. Entre as vítimas, 14 eram crianças na primeira infância. Metade desses óbitos ocorreu entre menores de dois anos, faixa etária considerada mais vulnerável às complicações causadas por infecções respiratórias.
O aumento dos casos também tem refletido diretamente na ocupação da rede hospitalar. As duas unidades de terapia intensiva pediátrica em funcionamento no estado operam próximas do limite de capacidade. A UTI Pediátrica 1 apresenta ocupação de 91,9%, enquanto a UTI Pediátrica 2 registra 89,2%. Já as enfermarias pediátricas alcançam 87,7% de ocupação.
Segundo a Vigilância em Saúde, o cenário é resultado da circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios, entre eles influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus, adenovírus e metapneumovírus. O VSR tem sido apontado como um dos principais responsáveis pelos casos graves registrados em crianças pequenas.
A coordenadora da área técnica de vírus respiratórios da Vigilância em Saúde, Anub Martins, destacou a importância da busca por atendimento médico diante dos primeiros sinais de agravamento “É importante que pais, responsáveis e toda a população estejam atentos aos sintomas respiratórios, principalmente dificuldade para respirar, febre persistente, chiado no peito e cansaço excessivo. Procurar atendimento logo nos primeiros sinais ajuda a evitar agravamentos e garante um cuidado mais rápido e eficiente”, afirmou.
No interior do estado, o município de Feijó concentra uma das situações mais preocupantes. Dos nove óbitos por SRAG registrados na cidade em 2026, seis ocorreram entre crianças indígenas, segundo informações da Sesacre.
Diante do aumento dos casos, o governo do Estado informou que intensificou o monitoramento epidemiológico e assistencial em todas as regionais de saúde. Entre as medidas adotadas estão o acompanhamento diário da ocupação hospitalar, reforço das equipes de atendimento e avaliação da necessidade de ampliação de leitos.
O secretário de Estado de Saúde, José Bestene, afirmou que a rede estadual permanece mobilizada para acompanhar a evolução do cenário. “Estamos reforçando equipes, monitorando diariamente a ocupação das unidades e avaliando medidas para ampliação da capacidade assistencial, caso seja necessário. Ao mesmo tempo, reforçamos o pedido para que a população mantenha a vacinação atualizada e adote medidas simples de prevenção, que continuam sendo fundamentais para reduzir a transmissão dos vírus respiratórios e proteger principalmente crianças e idosos”, declarou.
A vacinação continua sendo apontada pelas autoridades de saúde como uma das principais estratégias para reduzir casos graves e mortes. Além da imunização contra a gripe, o Acre disponibiliza proteção contra o vírus sincicial respiratório para gestantes e imunoglobulina para bebês prematuros que se enquadram nos critérios definidos pelo Ministério da Saúde.
A coordenadora estadual do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Renata Quiles, reforçou a importância da atualização da caderneta vacinal. “A vacinação continua sendo uma ferramenta fundamental para proteger a população, principalmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades. Manter a caderneta atualizada é essencial neste período de maior circulação viral”, ressaltou.
A orientação das autoridades é que a população mantenha os esquemas vacinais em dia, adote hábitos de higiene, evite ambientes fechados quando possível e procure assistência médica diante de sintomas respiratórios persistentes ou sinais de agravamento.
