Rio Branco, Acre - terça-feira, 28 abril, 2026

Acre tem três municípios entre os que mais desmataram na Amazônia

Foto: Internet 

Um levantamento recente do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia aponta que três municípios acreanos — Feijó, Tarauacá e Rio Branco — estão entre os dez que mais registraram desmatamento na Amazônia Legal entre agosto de 2025 e março de 2026. Juntas, as cidades somaram 101,84 quilômetros quadrados de áreas devastadas no período.
Apesar da presença no ranking, o estado apresentou redução no volume total de desmatamento. Foram 193 km² registrados, número 32% inferior ao ciclo anterior. Ainda assim, o Acre se destacou negativamente por concentrar o maior número de municípios na lista dos dez primeiros colocados.

O estudo utiliza dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), ferramenta que monitora a derrubada da floresta por meio de imagens de satélite com maior precisão, sendo capaz de identificar áreas degradadas a partir de um hectare. A metodologia difere dos sistemas oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que consideram áreas maiores.

No ranking geral, o município de Caracaraí, em Roraima, lidera com 84,09 km² desmatados. Em seguida aparecem Feijó, com 43,49 km², e Rorainópolis, também em Roraima. Tarauacá ocupa a sexta posição, enquanto Rio Branco aparece na oitava colocação.

O levantamento também acende alerta para áreas protegidas. No Acre, quatro unidades de conservação concentram parcela significativa do desmatamento registrado na Amazônia no período analisado. Entre elas estão as reservas extrativistas Chico Mendes e Alto Juruá, além das florestas estaduais do Rio Gregório e do Mogno. Juntas, essas áreas representam 24,35% de todo o desmatamento ocorrido em unidades de conservação na região.

No cenário geral da Amazônia, houve queda de 17% no desmatamento no primeiro trimestre de 2026. Entre os estados, Pará, Mato Grosso e Roraima lideram os índices. Enquanto Pará e Mato Grosso registraram redução, Roraima foi o único a apresentar aumento, com alta de 21% na área desmatada.

A pesquisa também aponta queda expressiva na degradação florestal — que se diferencia do desmatamento por representar danos parciais à vegetação. Em março, foram registrados 11 km² de áreas degradadas, uma redução de 95% em relação ao mesmo mês do ano anterior, o menor índice para o período desde 2014.

Apesar da melhora nos indicadores, especialistas alertam que os dados devem ser analisados com cautela. A redução ocorre após um período considerado crítico, quando a Amazônia registrou níveis recordes de degradação, indicando a necessidade de reforço contínuo na fiscalização e em políticas de preservação ambiental.

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