Rio Branco, Acre - terça-feira, 03 março, 2026

Acre segue entre os piores índices de alfabetização do Norte

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O Acre aparece no retrato mais recente da educação na Região Norte com sinais de avanço, mas também com alertas que não podem ser ignorados. Dados do Censo IBGE 2022 e atualizações de 2023 mostram que Rio Branco alcançou média de 10 anos de estudo entre pessoas com 11 anos ou mais, desempenho que coloca a capital acreana à frente de estados vizinhos como Rondônia, mas ainda distante dos melhores resultados regionais.

O dado que mais preocupa está na alfabetização. Rio Branco registra taxa de 93,04% entre pessoas com 15 anos ou mais, o pior índice entre as capitais do Norte analisadas. Enquanto cidades como Belém e Manaus superam os 97%, a capital acreana ocupa a última posição regional, evidenciando que o avanço nos anos de estudo não tem sido suficiente para garantir alfabetização plena.

O contraste fica ainda mais evidente quando o Acre é comparado a Palmas, líder regional tanto em anos de estudo quanto em alfabetização. A capital do Tocantins alcança 11,4 anos médios de escolaridade e quase 97% de alfabetização, revelando uma diferença que vai além dos números e aponta desigualdades estruturais no acesso, na permanência e na qualidade do ensino.

Especialistas em educação alertam que o principal gargalo da Região Norte — e de forma mais intensa no Acre — não está apenas na matrícula, mas na trajetória educacional. Evasão escolar, defasagem idade-série e dificuldades de aprendizagem continuam mais presentes do que na média nacional, especialmente entre estudantes da periferia e do interior do estado.

Os dados mostram que há progresso, mas também deixam claro que ele não é suficiente. No Acre, o desafio passa por transformar anos de estudo em aprendizado efetivo, investir na alfabetização na idade certa, fortalecer a permanência dos alunos na escola e reduzir desigualdades territoriais que seguem determinando quem aprende — e quem fica para trás.

 

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