Levantamento da Sesacre mostra baixa cobertura em diferentes faixas etárias; entre adolescentes, mais de 23 mil ainda não receberam a meningocócica ACWY
A cobertura vacinal continua abaixo das metas estabelecidas para boa parte dos imunizantes no Acre. Dados do primeiro semestre de 2026 mostram índices baixos principalmente entre crianças, adolescentes e gestantes, além de uma adesão preocupante à vacinação contra dengue, HPV, Covid-19 e influenza.
Os números fazem parte de boletim da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), divulgado nesta quarta-feira (19).
Entre as crianças menores de um ano, o estado não alcançou a meta em vários dos principais imunizantes. A cobertura ficou em 83,21% para BCG, 84,24% para hepatite B, 85,01% para rotavírus, 90,40% para pneumocócica, 82,04% para pentavalente e 81,38% para poliomielite.
A febre amarela apresentou um dos resultados mais baixos, com cobertura de apenas 69,84%. A meta estabelecida é de 90% para BCG e 95% para os demais imunizantes avaliados.
Entre as crianças de um ano, nenhum dos imunizantes analisados alcançou a meta de 95% no conjunto do estado. A primeira dose da tríplice viral chegou a 87,11%, mas a segunda ficou em apenas 61,30%. A cobertura contra varicela também foi baixa, de 61,72%, enquanto a DTP atingiu 70,33% e a poliomielite, 75,62%.
Rio Branco apresentou resultados melhores em parte da vacinação infantil. Entre os menores de um ano, a capital superou 100% de cobertura para rotavírus, pneumocócica, pentavalente, poliomielite e meningocócica C. Na febre amarela, no entanto, ficou em 84,15%.
Rio Branco e Acrelândia foram os únicos municípios que atingiram todos os imunizantes considerados no Indicador do Pacto Interfederativo: pentavalente, pneumocócica 10-valente e pólio inativada.
A situação muda quando são observadas outras faixas etárias. Na vacinação contra o HPV, destinada a crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, a cobertura estadual foi de apenas 53,95%. Entre as meninas, chegou a 57,82% e, entre os meninos, a 50,30%.
Em Rio Branco, somente 43,61% do público-alvo estava imunizado contra o HPV. Bujari apresentou 28,22% e Porto Acre, 29,77%. Assis Brasil teve o melhor desempenho do estado, com 95,42%.
A vacinação contra a dengue também permanece distante da meta. Entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, apenas 38,38% receberam a primeira dose e 17,34% chegaram à segunda. Em Rio Branco, os percentuais caíram para 29,84% na primeira dose e somente 11,26% na segunda.
Outro dado chama atenção entre os adolescentes. Dos 61.312 jovens de 11 a 14 anos considerados para a vacinação com a meningocócica ACWY, 37.964 receberam a dose e 23.348 ainda permanecem sem a imunização recomendada. A cobertura estadual ficou em 61,92%, e apenas Porto Walter atingiu a meta de 90%.
Entre as gestantes, a cobertura chegou a 74,55% para dTpa e 76,87% para a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). A vacinação contra Covid-19 teve resultado ainda menor, alcançando apenas 34,86% desse público no estado.
Rio Branco foi o único município a atingir a meta de 90% para dTpa, chegando a 95,26%. A capital também registrou 102,12% para VSR, mas ficou em 50,83% na vacinação contra Covid-19.
A baixa adesão também aparece na vacinação contra a influenza. No período 2025/2026, a cobertura geral no Acre foi de 44,36%. Entre crianças, chegou a 53,45%; entre gestantes, a 80,05%; e entre idosos, ficou em apenas 31,83%.
Nenhum município acreano alcançou a meta de vacinação contra influenza entre os idosos. Os números reforçam o desafio do estado para ampliar a imunização e alcançar os parâmetros recomendados para os diferentes públicos.
