Rio Branco, Acre - terça-feira, 07 abril, 2026

Acre registra poucos focos de queimadas no início de 2026, aponta monitoramento por satélite

Foto: Internet 

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O estado do Acre registrou quatro focos de queimadas entre os meses de janeiro e março de 2026, de acordo com dados monitorados por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número é considerado baixo e acompanha a tendência de redução observada no mesmo período do ano anterior, influenciada principalmente pelo aumento das chuvas na região.

Segundo o levantamento, foram identificados dois focos de calor em janeiro e outros dois em fevereiro. No mês de março não houve registro de queimadas em território acreano. O período corresponde ao chamado inverno amazônico, caracterizado por chuvas intensas e elevação do nível de rios e igarapés, fatores que dificultam a ocorrência e a propagação de incêndios.

Os registros de janeiro ocorreram nos municípios de Rio Branco e Epitaciolândia. No mesmo período, considerando os estados da região Norte, o Pará apresentou o maior número de focos de queimadas, com mais de mil ocorrências.

Em fevereiro, os dois focos detectados no Acre foram registrados nos municípios de Rodrigues Alves e Tarauacá. Na região Norte, o maior número de ocorrências naquele mês foi observado em Roraima.

Já em março, nenhum foco de calor foi identificado no estado, enquanto Roraima voltou a liderar o ranking regional de queimadas no período.

A redução nos registros no Acre ocorre em meio a um cenário de chuvas acima da média em algumas regiões. Na capital, Rio Branco, por exemplo, o volume acumulado de chuva em março chegou a cerca de 366 milímetros, aproximadamente 33% acima da média histórica para o mês.

Apesar de fevereiro ter registrado volume de chuva abaixo do esperado, com cerca de 114 milímetros, o índice ainda foi suficiente para manter o solo úmido e reduzir as condições favoráveis à propagação de incêndios.

As chuvas intensas também provocaram a elevação do nível dos rios em vários municípios do estado. Diante desse cenário, o governo do Acre reconheceu recentemente situação de emergência em cidades como Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro, afetadas pelas cheias.

Historicamente, os registros de queimadas na região costumam aumentar no segundo semestre do ano, durante o período conhecido como verão amazônico, quando as chuvas diminuem e cresce o uso do fogo para limpeza de áreas rurais.

Dados do Inpe também indicam que, considerando todo o bioma amazônico — que inclui estados como Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Amapá, além de áreas de Mato Grosso e Maranhão — foram registrados milhares de quilômetros quadrados de áreas queimadas até março deste ano.

A tendência observada em séries históricas do instituto é de aumento gradual dos focos de calor nos próximos meses, à medida que o período de estiagem se aproxima na região amazônica.

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