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O Acre encerra 2025 com o pior cenário da década em relação à violência letal contra mulheres. Dados da plataforma Feminicidômetro, compilados a partir de informações do Ministério Público do Estado (MP-AC), apontam 14 feminicídios consumados até 13 de dezembro, número superior ao registrado em 2021, quando 13 mulheres foram assassinadas. O total coloca 2025 como o ano mais letal para mulheres no estado desde 2020
Levantamento histórico mostra que os casos vinham em relativa queda nos últimos anos: foram doze feminicídios em 2020, 13 em 2021, nove em 2022, dez em 2023 e oito em 2024. A alta registrada neste ano rompe a tendência e reacende o alerta das autoridades e da sociedade civil sobre a persistência da violência de gênero no Acre
Os dados revelam um padrão recorrente. A maioria das vítimas foi morta por companheiros ou ex-companheiros, geralmente em contextos de violência doméstica já existente. Do total de mulheres assassinadas, 92% eram pretas ou pardas, 71% tinham filhos e metade se dedicava exclusivamente ao trabalho doméstico. As armas mais utilizadas foram facas, seguidas por armas de fogo, o que reforça o caráter íntimo e cotidiano desses crimes
Rio Branco concentrou o maior número de ocorrências em 2025, com quatro casos, seguida por Cruzeiro do Sul e Tarauacá, com dois cada. A maior parte dos suspeitos foi presa, embora haja exceções, como casos em que o autor morreu após o crime ou permanece foragido. Especialistas apontam que a dependência econômica, o machismo estrutural e a dificuldade de romper relações abusivas seguem como fatores centrais para a manutenção desse quadro
Além dos casos deste ano, o Feminicidômetro contabiliza 91 feminicídios consumados no Acre entre janeiro de 2018 e novembro de 2025, além de mais de 150 tentativas. Os números reforçam a dimensão estrutural do problema e a necessidade de políticas públicas contínuas de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores, com participação ativa do poder público e da sociedade.
