Rio Branco, Acre - domingo, 22 março, 2026

Acre registra novo aumento no preço da gasolina em postos de combustíveis

Foto: Internet 

Mesmo sem anúncio oficial de reajuste na gasolina, motoristas do Acre relatam aumento no preço do combustível em postos de abastecimento no estado. O cenário preocupa consumidores, que já convivem com um dos valores mais altos do país nas bombas.

No último sábado, a Petrobras anunciou reajuste de R$ 0,38 por litro no diesel vendido às distribuidoras, mas não houve comunicado oficial sobre alteração no preço da gasolina. Ainda assim, revendedores afirmam que já sentem impacto no custo de aquisição dos combustíveis.

A alta internacional do petróleo é apontada como um dos fatores que pressionam o mercado. Nas últimas semanas, tensões no Oriente Médio elevaram o preço do barril, que saiu de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100 no mercado internacional, encarecendo a matéria-prima utilizada na produção de combustíveis.

No Acre, o preço da gasolina já vinha entre os mais elevados do Brasil. Em janeiro deste ano, o litro da gasolina comum era vendido, em média, entre R$ 7,24 e R$ 7,25. O etanol também registrava valor elevado no estado, com média de R$ 5,99 por litro.

Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Acre (Sindepac), os postos já começaram a sentir o impacto ao adquirir novos estoques junto às distribuidoras. A entidade informou que ocorreram dois reajustes lineares na gasolina e no diesel, que juntos chegaram a aproximadamente R$ 0,35 por litro.

De acordo com o sindicato, a tendência é que os novos valores sejam repassados gradualmente ao consumidor conforme os postos renovem seus estoques.

Entre os motoristas, o aumento já preocupa. O soldador João Simão, que utiliza motocicleta como principal meio de transporte, afirma que o gasto mensal com combustível deve crescer.

Atualmente, ele calcula gastar cerca de R$ 80 por mês para abastecer a moto. Com a alta nos preços, a previsão é que o valor ultrapasse os R$ 100.

“Eu já pensei até em trocar por uma moto elétrica. Se com a moto já pesa no bolso, imagina manter um carro”, afirmou.

O empreendedor João Paulo também depende do carro para trabalhar diariamente. Segundo ele, o aumento frequente nos combustíveis faz com que a troca do veículo por uma motocicleta seja considerada.

“Só não troquei ainda porque tenho família grande. Se não fosse isso, já estaria andando de moto”, disse.

Para tentar reduzir os gastos, ele afirma que procura promoções e cupons de desconto oferecidos por aplicativos de pagamento ou programas de fidelidade.

Interior também sente impacto

No interior do estado, os reajustes também já começam a aparecer nas bombas. Em Cruzeiro do Sul, motoristas relatam aumento médio de cerca de R$ 0,20 por litro na gasolina e no diesel comum.

Já o diesel S10, que depende mais de importação, teve reajustes que chegaram a aproximadamente R$ 0,70 por litro em alguns postos.

Segundo Arenilson Paixão, gerente de uma rede de postos na cidade, o aumento já era esperado diante das instabilidades no mercado internacional de petróleo.

Ele explica que o cenário global de maior demanda e oferta limitada acaba pressionando os preços.

“Quando a produção não consegue acompanhar a demanda, o preço sobe. Nós seguramos por alguns dias antes de repassar o reajuste, mas chega um momento em que não é possível absorver o aumento”, afirmou.

Impacto no orçamento

O encarecimento do combustível afeta diretamente o orçamento das famílias e também o custo de serviços nas cidades. Para trabalhadores que dependem do veículo para gerar renda, a situação se torna ainda mais desafiadora.

O motorista de aplicativo Deusimar Vieira conta que sentiu a diferença ao abastecer.

“Quando cheguei ao posto percebi que o valor estava mais alto. Para nós fica pesado, mas também não dá para repassar tudo para o cliente”, disse.

Segundo ele, a alternativa tem sido reduzir despesas e reorganizar o orçamento para tentar equilibrar as contas.

Sindicato acompanha cenário

Em nota, o Sindepac afirmou que acompanha o cenário internacional e destacou que a escalada das tensões no Oriente Médio tem provocado reflexos na economia global, especialmente no preço do petróleo.

A entidade informou que os revendedores já estão pagando mais caro pelos combustíveis ao comprar das distribuidoras e ressaltou que os postos são o último elo da cadeia de comercialização.

Ainda de acordo com o sindicato, não é possível prever com precisão qual será o impacto final nas bombas, já que fatores como logística, frete, custos operacionais e política de preços das distribuidoras também influenciam na formação do valor final ao consumidor.

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