Rio Branco, Acre - sábado, 18 abril, 2026

Acre registra aumento de síndromes respiratórias e entra em nível de alerta, aponta boletim da Fiocruz

Foto: Internet

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O estado do Acre voltou a registrar crescimento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo dados do mais recente boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz. A análise considera a Semana Epidemiológica 13, compreendida entre os dias 29 de março e 4 de abril, e indica tendência de alta nas notificações ao longo das últimas seis semanas.

De acordo com o levantamento, o Acre figura entre os estados brasileiros classificados em nível de alerta, risco ou alto risco para doenças respiratórias. Além do estado, também apresentam cenário semelhante unidades da federação das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, o que demonstra uma elevação mais ampla da circulação de vírus respiratórios no país.

A Fiocruz aponta que, nas quatro semanas mais recentes analisadas, a maior incidência de casos positivos tem sido registrada entre grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com comorbidades, além de profissionais de saúde, considerados mais expostos.

Entre os vírus identificados nos casos confirmados, o rinovírus lidera com 40,8% das ocorrências, seguido pela Influenza A (30,7%), pelo vírus sincicial respiratório (19,9%), pelo Sars-CoV-2, responsável pela Covid-19 (6,2%), e pela Influenza B (2,0%).

Em nível nacional, o boletim indica que, apenas neste ano, já foram notificados mais de 31 mil casos de SRAG. Desse total, pouco mais de 13 mil tiveram resultado positivo para vírus respiratórios, enquanto outros foram descartados ou ainda aguardam confirmação laboratorial.

Os dados também mostram diferenças importantes entre os perfis de incidência e mortalidade. Entre crianças pequenas, a SRAG está mais associada ao vírus sincicial respiratório e ao rinovírus. Já entre idosos, os maiores índices de mortalidade estão relacionados à Influenza A e à Covid-19.

A pesquisadora da Fiocruz, Tatiana Portella, destaca que a vacinação contra a influenza continua sendo a principal estratégia de prevenção contra casos graves e mortes causadas pelo vírus. A orientação é que pessoas com sintomas gripais evitem contato com outras pessoas e, quando necessário sair, utilizem máscara de proteção.

No âmbito estadual, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre informou que, entre o início do ano e a Semana Epidemiológica 11, foram registradas mais de 4 mil consultas por síndromes gripais. No mesmo período, 17 mortes relacionadas a complicações respiratórias foram contabilizadas.

Especialistas reforçam que medidas simples podem reduzir a disseminação das doenças, como manter a vacinação em dia, adotar hábitos alimentares saudáveis, higienizar as vias aéreas, evitar contato com pessoas doentes e buscar acompanhamento médico regular, especialmente no caso de crianças.

Com a chegada do chamado inverno amazônico, período caracterizado pelo aumento das chuvas e da umidade, há maior propensão à circulação de vírus respiratórios. Nesse contexto, quadros clínicos podem variar desde resfriados leves, com sintomas como coriza e tosse moderada, até casos mais graves, como a SRAG, que podem envolver febre persistente, dificuldade para respirar e necessidade de atendimento hospitalar.

Autoridades de saúde alertam que a atenção aos sintomas e a busca por atendimento precoce são fundamentais para evitar complicações e reduzir o risco de agravamento da doença.

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