Rio Branco, Acre - sábado, 07 março, 2026

Acre queimou quase 2,7 milhões de hectares em 39 anos, revela estudo inédito do MapBiomas

Foto: Ilustrativa

Um levantamento inédito divulgado pelo MapBiomas mostra que o Acre queimou, entre 1985 e 2024, uma área acumulada de 2.689.959 hectares, o equivalente a quase 18 vezes o território do município de Rio Branco. Os dados fazem parte do relatório “40 anos de fogo nos biomas brasileiros”, da Coleção 4 do MapBiomas Fogo, que traz um panorama detalhado da evolução das queimadas em todos os biomas do país nas últimas quatro décadas.

O estudo aponta que a Amazônia foi o segundo bioma mais afetado pelo fogo no Brasil, concentrando 42,4% de toda a área queimada no país desde 1985. Nesse período, 20,8% do bioma amazônico queimou ao menos uma vez, o que representa 1/5 de sua área total. Ao lado do Cerrado, que lidera o ranking, os dois biomas respondem por 86% das queimadas registradas no país ao longo dos últimos 39 anos.

Entre os estados com maiores áreas queimadas no período estão Mato Grosso (com 44,9 milhões de hectares), Pará (31,2 milhões) e Maranhão (20,4 milhões), que juntos representam quase metade da área queimada do país. O Acre, embora com território menor, apresenta dados alarmantes: além do volume acumulado de queimadas, os focos continuam ocorrendo principalmente entre os meses de agosto e outubro, auge do período seco na região Norte, que concentrou 64,6% das ocorrências de fogo na Amazônia.

Pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2024, a formação florestal foi mais atingida pelo fogo do que as áreas de pastagem, o que acende um alerta adicional sobre os impactos da crise climática e do uso descontrolado do fogo na floresta. Segundo o relatório, 43% das áreas queimadas na Amazônia no último ano eram florestas, enquanto 33,7% eram pastagens. O dado inverte a tendência dos últimos 39 anos, nos quais o fogo era majoritariamente associado à renovação de pasto.

Outro aspecto relevante do estudo é o tamanho das áreas atingidas. Quase 50% das queimadas na Amazônia ocorreram em propriedades com menos de 500 hectares, o que indica que o uso do fogo está amplamente concentrado em pequenas e médias propriedades. No Brasil como um todo, a maioria das cicatrizes de incêndio está entre 10 e 250 hectares, embora em 2024 quase 30% da área queimada tenha ocorrido em grandes eventos com mais de 100 mil hectares.

O MapBiomas utiliza imagens de satélite da série Landsat (com resolução de 30 metros), inteligência artificial e redes neurais treinadas para cada bioma. A metodologia permite identificar e diferenciar áreas atingidas por incêndios de maneira precisa, aplicando filtros sazonais e técnicos para eliminar ruídos nos dados. A nova coleção amplia a acurácia das séries temporais e reforça a urgência de políticas públicas voltadas para o controle e prevenção de queimadas, especialmente diante do avanço das mudanças climáticas e do uso intensivo da terra na Amazônia.

O relatório foi lançado em Brasília com debates técnicos, exposição fotográfica e chamadas à ação para o fortalecimento de estratégias de manejo integrado do fogo. Os autores alertam que o país precisa transformar o diagnóstico em ação, adotando medidas urgentes e regionalizadas para evitar que tragédias ambientais como a que se vê no Acre se repitam com ainda mais gravidade nos próximos anos.

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