No Acre, mais de 31 mil jovens ainda não receberam a dose contra o papilomavírus humano (HPV). Com isso, o Programa Nacional de Imunização (PNI) no Acre deu início a uma estratégia para atingir o público-alvo. A ação faz parte de um esforço do Ministério da Saúde (MS) para ampliar a proteção desse público e combater o avanço de doenças associadas ao vírus.
A campanha tem como alvo 121 municípios brasileiros com as maiores taxas de não vacinação, totalizando 2,95 milhões de adolescentes sem imunização em todo o país. Rio Branco foi selecionada como uma das cidades para a vacinação massiva, com a meta de alcançar pelo menos 90% do público-alvo.
Para otimizar a campanha, o Ministério da Saúde lançou um painel digital de monitoramento que permite aos gestores acompanhar os índices de vacinação desde 2014. A ferramenta possibilita identificar as áreas com menor cobertura vacinal e direcionar esforços para populações mais vulneráveis.
A coordenadora estadual de Imunizações, Renata Quiles, destacou que a resistência muitas vezes está ligada ao fato de os pais não quererem falar sobre o assunto.
“A vacina contra o HPV tem como objetivo prevenir a infecção por um vírus perigoso, que é o papilomavírus, microorganismo que está intimamente relacionado aos casos de câncer de colo de útero, pênis, vagina, vulva e orofaringe. Justamente por falarmos tanto sobre as questões íntimas, relacionadas a órgãos genitais, existe uma resistência em aderir a essa vacina”, explica.
A dose deve ser dada na infância e adolescência para que, quando o jovem iniciar a vida sexual, já tenha se prevenido, dando chances de o organismo produzir os anticorpos necessários para sua proteção.
“A vacina HPV, justamente por questões religiosas, tradições e desinformações divulgadas sobre ela, é uma vacina muito estudada, avaliada e monitorada, tendo sua qualidade e segurança reforçadas todos os anos. É segura, necessária e todos nós devemos ter a oportunidade de ter acesso a ela. Para os adolescentes, o SUS garante de forma gratuita, e para os adultos pode se encontrar nas clínicas privadas de vacinação e, em alguns casos especiais, no Crie [Centro de Referências para Imunobiológicos Especiais]”, reforça a coordenadora.
Os cinco estados com os maiores índices de adolescentes não vacinados contra o HPV são o Rio de Janeiro (54%), Acre (40%), Distrito Federal (38%), Roraima (36%) e Amapá (32%).
