Rio Branco, Acre - sexta-feira, 06 março, 2026

Acre corre risco de ficar fora da rota econômica do Pacífico, alerta Afonso Fernandes

Foto Sérgio vale

O Porto de Chancay, no Peru, foi inaugurado com pompa e promessa de integração entre América do Sul e Ásia. Mas no Acre, o alerta acendeu no plenário da Assembleia Legislativa: o Estado pode acabar como mero espectador de mais uma oportunidade histórica de desenvolvimento. Quem fez o aviso foi o deputado estadual Afonso Fernandes (PL), durante sessão de quarta-feira, 14.

Ao discursar, o parlamentar cobrou posicionamento firme da bancada federal e do governo estadual para garantir que o Acre assuma o protagonismo na nova rota de exportação pelo Pacífico, que será escoada por Chancay e promete encurtar em até 12 dias o caminho entre o Brasil e a China.

“Se o Acre não acordar agora, não vai ter outra chance. Rondônia e Mato Grosso estão se mexendo pra puxar a rota pra seus territórios. E aí, já era”, alertou Afonso, ao mencionar articulações desses estados para redirecionar a logística por Guajará-Mirim.

O deputado destacou que o Estado não chegou até aqui por acaso. Citou anos de investimentos em infraestrutura viária, ajustes legais e integração internacional, inclusive sua participação na inauguração do porto peruano, ao lado de lideranças políticas e empresariais. Afonso também relatou reuniões com a ministra Simone Tebet e o senador Sérgio Petecão, reforçando a mobilização em Brasília.

Apesar disso, o medo é que a falta de pressão coordenada jogue tudo fora. Para ele, o Estado está no mapa, mas a rota pode passar por fora se não houver mobilização urgente.

Outro ponto central da fala foi a inclusão do Vale do Juruá no planejamento estratégico. O parlamentar defendeu que municípios como Sena Madureira e Marechal Thaumaturgo também sejam beneficiados, alertando para o risco de a integração ficar limitada apenas a uma parte do Estado.

“A juventude do Acre está indo embora por falta de oportunidade. Não podemos mais perder tempo. Já tomamos bola nas costas com os projetos Estrela e Califórnia. Se errarmos de novo, o prejuízo será definitivo”, afirmou, referindo-se a promessas antigas que não saíram do papel.

A fala de Afonso Fernandes soma-se à de Edvaldo Magalhães (PCdoB), que também já havia advertido sobre o apagão político em torno do tema. O que está em jogo agora é mais do que um corredor logístico: é o lugar do Acre na nova geopolítica econômica do continente.

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