Foto Sérgio Vale
O Acre começa a escrever um novo capítulo da sua história econômica. O que antes era uma cadeia produtiva voltada quase exclusivamente para o mercado interno, agora passa a mirar o mundo. Com a chegada de uma comitiva internacional de compradores de nove países, o programa Exporta Mais Brasil, coordenado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), consolidou o estado como a nova fronteira do café brasileiro no cenário global.
A missão, idealizada pelo presidente da Apex, Jorge Viana, levou o Acre ao centro das atenções internacionais e promoveu um encontro inédito entre produtores locais e empresários estrangeiros de alto nível. Participaram representantes dos Estados Unidos, Chile, Espanha, Croácia, Rússia, Israel, Emirados Árabes Unidos, China e Tailândia. O evento, realizado em Rio Branco, incluiu rodadas de negócios e degustações técnicas de cafés robusta amazônicos, com foco na sustentabilidade e na qualidade sensorial dos grãos.
“Essa iniciativa não é apenas comercial. É uma estratégia de reposicionamento do Brasil e da Amazônia no mercado internacional”, afirmou Jorge Viana. “Estamos mostrando que o café produzido com responsabilidade ambiental e social pode ser uma das marcas mais poderosas da bioeconomia brasileira.”
Os resultados já começaram a aparecer. Empresários estrangeiros manifestaram interesse em fechar contratos de exportação direta com cooperativas acreanas, o que pode gerar novas oportunidades de renda e valorização do café produzido no estado. Entre eles, o americano Kirk Bedrossian, CEO da Angelino’s Coffee, anunciou a criação de uma linha exclusiva chamada Expresso Amazônico, que será lançada nos Estados Unidos e na Europa. “Queremos construir uma cadeia de suprimentos da Amazônia. O café do Acre tem identidade, história e qualidade que encantam”, declarou.

O evento também destacou o papel do Acre como vitrine da agricultura sustentável. Durante a missão, os compradores conheceram propriedades que cultivam café em áreas antes degradadas, hoje reflorestadas e produtivas. Para o empresário croata Petar Gudelj, da Kava Family Coffee Roasters, esse é o ponto que diferencia o produto amazônico dos demais. “É impressionante ver o uso produtivo de áreas recuperadas. O Acre está mostrando que é possível produzir e preservar”, disse.

A ApexBrasil pretende expandir as ações do programa Exporta Mais Brasil em 2026, conectando mais produtores amazônicos ao mercado externo. Para Viana, essa é uma virada estrutural. “Quando o Acre passa a exportar café especial, ele muda de patamar. Ganha a floresta, ganham os produtores e ganha o Brasil, que mostra ao mundo o seu potencial de inovação verde”, concluiu.
O movimento abre uma nova era para o café acreano, que deixa de ser um produto regional para se tornar uma marca de origem reconhecida. O comércio internacional começa a descobrir o que o Acre sempre soube: que há um sabor de floresta, de resistência e de futuro em cada xícara produzida por mãos amazônicas.
