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O Acre está entre os estados brasileiros com nível de risco e alto risco para casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo o mais recente boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na última quinta-feira (26). O levantamento analisa dados da Semana Epidemiológica 11, correspondente ao período de 15 a 21 de março.
De acordo com o relatório, o crescimento das internações por SRAG no estado está relacionado principalmente à circulação de vírus respiratórios como influenza A, rinovírus e o vírus sincicial respiratório (VSR). Esses agentes têm contribuído para o aumento de hospitalizações, especialmente entre grupos mais vulneráveis.
A análise também aponta que o VSR continua sendo um dos principais responsáveis pelo avanço da SRAG entre crianças menores de dois anos. Além do Acre, outros estados da região Norte — Amazonas, Pará, Roraima e Rondônia — também registraram tendência de alta nos casos durante o período analisado.
Mesmo com o alerta, o boletim destaca que a capital Rio Branco permanece classificada em nível considerado seguro para atividade da síndrome respiratória grave. No entanto, os pesquisadores indicam possibilidade de crescimento na tendência de longo prazo, o que mantém a necessidade de monitoramento constante.
Em âmbito nacional, o cenário também preocupa. Segundo o InfoGripe, 22 das 27 unidades da Federação apresentaram nível de atividade de SRAG classificado entre alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas. Entre os estados nessa situação estão Rio de Janeiro, Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Sergipe, Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo.
A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pelo sistema InfoGripe, ressalta que a vacinação continua sendo a principal estratégia para reduzir hospitalizações e evitar casos graves e mortes provocadas por vírus respiratórios.
Além da imunização, a especialista recomenda medidas de prevenção, como o uso de máscaras em ambientes fechados ou com grande concentração de pessoas. Em casos de sintomas gripais ou de resfriado, a orientação é priorizar o isolamento domiciliar. Quando isso não for possível, a recomendação é utilizar máscaras de maior proteção, como PFF2 ou N95, para reduzir o risco de transmissão.
O boletim também aponta que todos os estados brasileiros apresentam crescimento na tendência de longo prazo dos casos de SRAG. Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, três vírus concentraram a maior parte dos diagnósticos positivos no país: rinovírus, influenza A e o vírus sincicial respiratório.
A distribuição dos casos positivos foi liderada pelo rinovírus, responsável por 45% das ocorrências. Em seguida aparecem a influenza A, com 27,8%, e o VSR, com 14,6%. Já o vírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, respondeu por 9,1% dos registros, enquanto a influenza B representou 1,4%.
Os dados indicam ainda que a incidência de SRAG é mais elevada entre crianças e adolescentes, enquanto os índices de mortalidade se concentram principalmente entre idosos.
Somente em 2026, o país já registrou mais de 24,2 mil notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Desse total, 38,9% tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório. Entre os óbitos registrados nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a influenza A aparece como a principal causa, sendo responsável por 35,9% das mortes associadas à SRAG.
