O Acre figura entre os dez maiores produtores de açaí do país, mas ocupa a última posição do ranking nacional, evidenciando um contraste entre o potencial da floresta amazônica e a produção efetivamente registrada no estado.
Dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o Acre produziu 181 toneladas de açaí, enquanto o Pará lidera com 1.576.302 toneladas, concentrando cerca de 90% de toda a produção nacional. Na sequência aparecem Amazonas (105.211 toneladas), Bahia (4.809), Roraima (3.087), Rondônia (2.664), Maranhão (1.754), Tocantins (1.259), Ceará (671) e Espírito Santo (399 toneladas).
Os números chamam atenção porque o Acre possui características ambientais semelhantes às de outros estados amazônicos, onde o cultivo do açaí se consolidou como uma importante atividade econômica. A diferença, no entanto, está na escala da produção, na organização da cadeia produtiva e no nível de investimento destinado à cultura.
Além de abastecer o mercado interno, o açaí tornou-se um dos produtos brasileiros mais valorizados no exterior, impulsionado pela crescente demanda por alimentos considerados saudáveis e ricos em antioxidantes. O avanço do consumo transformou a fruta em um mercado bilionário, gerando emprego, renda e oportunidades para milhares de famílias, especialmente na região Norte.
Diante desse cenário, especialistas defendem que o Acre pode ampliar significativamente sua participação no setor por meio de políticas públicas voltadas ao incentivo do cultivo, assistência técnica aos produtores, fortalecimento das cooperativas e investimentos em agroindustrialização, agregando valor ao produto antes da comercialização.
Outro aspecto que desperta curiosidade é que Igarapé-Miri, no Pará, conhecida como a “Capital Mundial do Açaí”, produz sozinha mais açaí do que todos os demais estados brasileiros somados, demonstrando a força da cadeia produtiva paraense.
Mais do que um ranking, os dados levantam uma discussão importante sobre o futuro do agronegócio acreano. Com uma demanda crescente no Brasil e no exterior, o desafio é saber se o estado conseguirá transformar seu potencial natural em uma nova oportunidade de desenvolvimento econômico para produtores rurais e comunidades da floresta.
