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Muito além do suco refrescante, o maracujá ocupa hoje uma posição estratégica na agricultura brasileira. O Brasil é o maior produtor e consumidor mundial da fruta, responsável por cerca de 70% da produção global, resultado de décadas de investimento em ciência, tecnologia e melhoramento genético voltados ao campo.
Até a década de 1980, a produtividade média do maracujá no país não passava de 10 toneladas por hectare. Com o avanço de novas cultivares, melhorias no manejo, irrigação mais eficiente e maior controle de pragas e doenças, esse cenário mudou radicalmente. Em áreas tecnificadas, a produção supera hoje 100 toneladas por hectare, um salto de aproximadamente 1000%, além de abrir espaço para novos mercados, como a exportação de suco concentrado e derivados industriais.
No Acre, embora a produção ainda ocorra em escala menor quando comparada aos grandes polos nacionais, o cultivo do maracujá já está presente em pelo menos 14 municípios. Dados recentes indicam que o estado ultrapassou duas mil toneladas produzidas em 2023, com destaque para áreas de agricultura familiar. Na capital, Rio Branco, a fruta é cultivada em pequenas propriedades, mostrando que a cultura pode funcionar como alternativa de renda e diversificação produtiva no meio rural.
O cultivo no estado avança em ritmo próprio. A produção ocorre majoritariamente em áreas menores, com práticas tradicionais e forte influência das condições climáticas, fatores que ainda limitam ganhos mais expressivos de produtividade. Ainda assim, a adaptação do maracujá ao ambiente amazônico e sua presença em diferentes regiões do Acre revelam um potencial de crescimento que pode ser ampliado com políticas de diversificação produtiva, acesso à tecnologia e fortalecimento da renda no campo.
Além do impacto econômico, o maracujá movimenta a agricultura familiar e o agronegócio local. Cada hectare cultivado pode empregar até oito pessoas, contribuindo para a geração de trabalho, circulação de renda e desenvolvimento das economias locais.
