Acre ainda registra mais de 1,4 mil internações por falta de saneamento

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Mesmo com avanços registrados nos últimos anos, o Acre ainda convive com um cenário preocupante: em 2024, o estado contabilizou 1.406 internações por doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado (DRSAI). Os dados são de estudo recém-lançado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a Ex Ante Consultoria, que analisou a situação em todo o país entre 2008 e 2024.

No Acre, a maior parte dos casos esteve ligada a doenças de transmissão feco-oral, como diarreias, hepatite A e cólera, que somaram 864 internações. Outras 486 hospitalizações tiveram origem em doenças transmitidas por insetos vetores, como a dengue, além de 44 casos provocados por contato com a água contaminada, 8 por doenças ligadas à higiene e 4 por parasitoses intestinais.

A taxa de incidência no estado foi de 15,9 internações a cada 10 mil habitantes, número menor que a média da região Norte, que chegou a 18,9, mas ainda próximo da média nacional, de 16,2. Isso demonstra que, mesmo não estando entre os estados mais críticos, o Acre continua sofrendo com doenças que poderiam ser evitadas com infraestrutura básica de abastecimento de água e coleta de esgoto.

Em todo o Brasil, o estudo aponta 344,4 mil internações por DRSAI em 2024, com destaque para os casos de dengue, responsáveis por quase metade do total. Entre 2008 e 2024, houve redução média de 3,6% ao ano nas internações, mas o país ainda enfrenta situações graves: só em 2023 foram 11.544 mortes por essas doenças, sendo quase metade de origem feco-oral. Crianças de até quatro anos e idosos representaram 43,5% das internações, revelando a maior vulnerabilidade desses grupos.

Outro dado alarmante é que mulheres foram as mais atingidas, respondendo por 53% das hospitalizações e registrando mais óbitos do que os homens. Já entre as populações, os maiores índices de internação atingiram pardos, indígenas e pessoas autodeclaradas amarelas, reforçando a desigualdade no acesso ao saneamento.

Além do impacto humano, a ausência de infraestrutura pesa nos cofres públicos. Cada internação custa em média R$ 506,32 ao SUS. A universalização do saneamento no Brasil poderia reduzir em mais de 86 mil o número de hospitalizações por ano, o que resultaria em uma economia superior a R$ 49 milhões anuais.

Para o Instituto Trata Brasil, o recado é claro: investir em saneamento básico é salvar vidas e evitar gastos crescentes com a saúde pública. “O avanço do saneamento básico no Brasil irá reduzir a incidência de uma série de doenças que, infelizmente, impactam mais severamente as crianças, os idosos, mulheres e povos tradicionais. Precisamos priorizar investimentos se quisermos atingir as metas do Novo Marco Legal do Saneamento”, afirmou a presidente-executiva da entidade, Luana Pretto.

No Acre, o levantamento evidencia que, apesar de taxas mais baixas em comparação com estados vizinhos, milhares de pessoas continuam expostas a riscos que poderiam ser eliminados. O desafio segue sendo ampliar de forma rápida o acesso à água tratada e ao esgoto, reduzindo a pressão sobre a saúde pública e garantindo mais qualidade de vida à população.

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