O ex-secretário de Educação do Acre, Aberson Carvalho, passou a circular com força nos bastidores como um dos nomes cotados para compor a vice na chapa da governadora Mailza Assis na disputa pelo Palácio Rio Branco. A movimentação não é despretensiosa. Aberson comandou a Secretaria de Educação em um dos períodos mais sensíveis da área, com a rede estadual ainda enfrentando déficits históricos de aprendizagem, desafios estruturais e cobranças constantes de resultados. Nos indicadores oficiais mais recentes, o Acre apresenta evolução gradual em avaliações nacionais como o Ideb e o Saeb, mas ainda permanece abaixo da média ideal em recortes importantes, especialmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio — o que alimenta avaliações críticas sobre o desempenho da pasta ao longo dos últimos anos. No meio político, a leitura é menos técnica e mais direta: a Educação segue sendo um dos setores mais pressionados do governo, e a passagem de comando de Aberson não ficou marcada por consenso. Ainda assim, dentro do xadrez eleitoral de 2026, seu nome aparece como peça de equilíbrio político dentro do grupo governista, especialmente por sua relação com diferentes frentes da gestão e por não carregar rejeição explícita em parte da base. Como sempre na política acreana, a equação não passa apenas por números — mas por alianças, narrativas e conveniência de momento. E, neste momento, Aberson está dentro do jogo.
BUJARI EM DOIS PALANQUES
No Bujari, o prefeito Padeiro tenta manter o discurso de alinhamento com a candidatura da governadora Mailza Assis ao governo. Mas, nos bastidores da prefeitura, a leitura não é tão linear assim. O gestor nomeou para um cargo de assessor especial um nome ligado diretamente à coordenação da campanha do senador Alan Rick — justamente um dos principais adversários de Mailza na disputa pelo Palácio Rio Branco. No papel, uma coisa. Na prática, outra.
JOGO DUPLO
A política não costuma ser lugar para ingenuidade. A atitude de Padeiro, ou se trata de um gesto de equilíbrio entre forças locais, ou de mais uma dessas combinações que só o tempo — e a campanha — costumam explicar. Por enquanto, o que se vê é o prefeito tentando conversar com mais de um palanque ao mesmo tempo, enquanto os dois lados fingem não perceber. E, como sempre nesses casos, a explicação fica em aberto — à espera de quem decide falar primeiro.
CONTA QUE NÃO FECHA
Produtores do Bujari seguem divulgando vídeos de veículos atolados nos ramais do município. A cena acontece justamente quando a prefeitura recebe novas máquinas para reforçar a estrutura de obras. Entre o equipamento entregue e o ramal recuperado existe um caminho que, pelo visto, continua difícil de percorrer.
PACOTE PESADO
A entrega de 1,6 mil máquinas e equipamentos aos municípios acreanos, dentro de um pacote superior a R$ 200 milhões, virou um dos maiores movimentos logísticos já feitos no estado em um único ato.
CAPACIDADE DE OPERAÇÃO
Nos bastidores, o que chama atenção não é a entrega em si, mas a conta simples: com 22 municípios, a média passa de 70 equipamentos por cidade — o que coloca na mesa outro debate, bem menos político e bem mais prático, sobre capacidade de operação, manutenção e uso real desse maquinário. Porque máquina parada em pátio público costuma render mais discurso do que resultado.
NÃO ERA ELA
A enxurrada de críticas direcionadas à presidente do DERACRE, Sula Ximenes, após o desabamento da ponte de Sena Madureira acabou ignorando um detalhe importante da cronologia dos fatos. A obra não foi contratada nem executada sob sua gestão à frente do órgão. Na política, quando surge um problema, sempre aparece alguém para carregar a conta. O complicado é quando a cobrança chega antes da conferência da fatura.
SINAL DE ALERTA
O aumento de até 36% nas internações por síndrome respiratória no Acre acendeu um alerta na saúde pública e reforçou a pressão sobre a rede hospitalar neste período do ano.
ATENÇÃO REDOBRADA
Não é novidade que o inverno amazônico costuma trazer aumento dos casos, mas os números mostram que a circulação de vírus respiratórios segue em ritmo forte. Na saúde, diferente da política, os números não entram em debate. Entram na estatística. E os mais recentes recomendam atenção.
SOBREVIDA
O pedido de vista do ministro Cristiano Zanin interrompeu um julgamento que já tinha voto do ministro Alexandre de Moraes pela condenação da deputada federal Antônia Lúcia. No meio jurídico é apenas um rito processual. Na política, ganhou ares de sobrevida.
FILME ANTIGO
O caso não chega a ser novidade na trajetória de Antônia Lúcia. Ao longo da carreira, a parlamentar acumulou vitórias eleitorais e embates judiciais. Quem acompanha a política acreana há mais tempo sabe que este é um filme que já passou outras vezes no cinema.
OLHO NA RUA
O prefeito Alysson Bestene tem acompanhado pessoalmente os serviços de recuperação viária em bairros da capital. Não resolve todos os problemas da malha urbana, mas ajuda a construir uma imagem que todo gestor gosta de exibir: a de quem troca o gabinete pelo barro. Na política, obra rende voto. Buraco, quando vira rotina, rende problema.
PESO DIFERENTE
Cesário Braga e Olavinho Boiadeiro aparecem nas conversas sobre a disputa por vagas na ALEAC. Cesário chega com o peso da militância histórica do PT. Olavinho, ex-prefeito de Acrelândia, aposta no capital político construído no Baixo Acre. Em eleição proporcional, cada um joga com as fichas que tem.
