Foto: Agência Brasil
Um marco jurídico na proteção ambiental da Amazônia acaba de ser estabelecido com o reconhecimento das abelhas amazônicas como animais protegidos por lei. A decisão inédita partiu do município de Satipo, no Peru, e cria um precedente ao garantir proteção legal específica a esses insetos essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas florestais e para a segurança alimentar das comunidades tradicionais.
A medida reconhece o papel estratégico das abelhas nativas — especialmente as espécies sem ferrão — na polinização de plantas silvestres e cultivadas, fundamentais para a manutenção da biodiversidade amazônica. Estudos apontam que grande parte das espécies vegetais da floresta depende diretamente da ação desses insetos, que também sustentam cadeias produtivas como a apicultura e a meliponicultura.
A decisão surge em meio a um cenário de ameaças crescentes, como o desmatamento, o uso indiscriminado de agrotóxicos e as mudanças climáticas, fatores que têm provocado o declínio acelerado das populações de abelhas na região. Ao reconhecer esses insetos como animais protegidos, o município estabelece bases legais para punições contra a destruição de colmeias e práticas que coloquem em risco sua sobrevivência.
Especialistas avaliam que a iniciativa pode influenciar políticas públicas em outros municípios amazônicos, inclusive no Brasil, onde o debate sobre a proteção das abelhas nativas avança de forma desigual. A decisão reforça uma visão mais ampla de conservação, que vai além da proteção de grandes animais e passa a reconhecer a importância de espécies consideradas pequenas, mas vitais para a vida na floresta.
O reconhecimento jurídico das abelhas amazônicas representa um passo simbólico e prático na defesa da Amazônia, ao colocar no centro do debate ambiental a necessidade de preservar os agentes silenciosos que sustentam a floresta em pé.
