Abandono institucional: Censo Demográfico 2022 escancara falhas da gestão pública

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Dados do IBGE revelam que milhares de famílias ainda vivem sem acesso à água tratada, coleta de lixo, escola e atendimento médico. O retrato é de abandono estrutural, especialmente em bairros periféricos e comunidades rurais.

Os novos dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 17 de abril, lançam luz sobre uma realidade que muitos gestores preferem ignorar: o Acre ainda caminha a passos lentos quando o assunto é infraestrutura básica. A pesquisa mostra que, mesmo em pleno século XXI, milhares de acreanos vivem sem água encanada, coleta de lixo, rede de esgoto, escolas adequadas e unidades de saúde com estrutura mínima.

Com uma população estimada de 830.018 habitantes, o Acre cresceu 13,15% em relação ao último censo. No entanto, esse crescimento populacional não veio acompanhado de investimentos proporcionais em infraestrutura e qualidade de vida.

Entre os dados mais alarmantes está o acesso precário ao esgotamento sanitário. Apenas 47,7% dos domicílios acreanos estão conectados à rede geral de esgoto ou a fossas sépticas adequadas. Esse percentual é inferior à média nacional de 75,7% e coloca o Acre entre os estados com menor cobertura de esgotamento sanitário adequado no Brasil.

Além disso, os dados revelam que 53,4% dos domicílios acreanos utilizam fossas rudimentares ou buracos como forma de esgotamento sanitário. Outras formas inadequadas incluem o despejo direto em rios, lagos ou córregos (6,0%), o uso de valas (8,3%) e outras formas (4,9%). Adicionalmente, 3,8% da população do estado residia em domicílios sem banheiro ou sanitário, portanto, sem nenhum tipo de esgotamento.

O levantamento aponta o fracasso das políticas públicas de saneamento dos últimos anos no Estado As consequências vão além do desconforto: a falta de saneamento está diretamente ligada ao avanço de doenças infectocontagiosas e à alta demanda nas já precárias unidades de saúde.

Coleta de lixo

Em 2022, 75,9% dos domicílios no Acre eram atendidos por coleta direta ou indireta de lixo. Esse serviço inclui a coleta realizada diretamente no domicílio por serviços de limpeza ou o depósito em caçambas para posterior coleta.

Houve um aumento de 4,7 pontos percentuais na cobertura desse serviço entre 2010 e 2022, passando de 71,2% para 75,9%. Apesar disso, o Acre ainda está entre os estados com menor cobertura de coleta de lixo no país, ao lado do Maranhão e Piauí.

Entre os 24,1% dos domicílios não atendidos por serviços de coleta, os destinos mais comuns para o lixo incluem:

– Queima na propriedade: 7,9%;

– Enterro na propriedade: 0,3%;

– Descarte em terrenos baldios, encostas ou áreas públicas: 0,6%;

– Outros destinos: 0,3%.

Abastecimento de água nas residências

Ainda de acordo com os dados do Censo Demográfico, em 2022 apenas 57,8% dos domicílios no Acre tinham acesso à rede geral de abastecimento de água como principal fonte. Esse percentual é inferior à média nacional de 85,9% e coloca o Acre entre os estados com menor cobertura do país.

Os demais domicílios utilizam fontes alternativas, como poços profundos ou artesianos, poços rasos, cacimbas, fontes naturais ou outras formas de abastecimento. Essas alternativas são mais comuns em áreas rurais e podem representar riscos à saúde devido à qualidade da água.

Enquanto 93,4% dos domicílios urbanos no Brasil são abastecidos por rede geral, nas áreas rurais esse número cai para 32,3%. No Acre, essa disparidade é ainda mais acentuada, refletindo desafios na infraestrutura de saneamento básico nas zonas rurais.

Sobre o Censo Demográfico 2022

O levantamento faz parte do estudo “Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios”, que observou as condições das vias onde vivem 174,2 milhões de brasileiros em áreas urbanas.

Áreas avaliadas na pesquisa foram: iluminação pública, pavimentação das vias (asfaltadas ou calçadas, bueiros ou sistemas de drenagem, calçadas, rampas para cadeirantes nas calçadas, meio-fio, arborização (presença de árvores), placas com nome da rua, coleta de lixo, esgoto a céu aberto.

Os dados, de acordo com o IBGE, ajudam a medir a infraestrutura urbana das cidades brasileiras e são importantes para planejar políticas públicas, investimentos e melhorias na qualidade de vida da população.

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